30
Jul 10

Pelo menos tem comida em casa!

Letícia

Casa,

pai,

mãe,

avô sem os dentes com a mão na perna, enquanto assiste televisão.

Meu pai quando ficava bravo dizia: “vou ali na praça arrebentar uns veados”.

Sim, ele fazia isso. Pegava um porrete e metia nas costas dos travestis ou de qualquer camarada que andasse rebolando.

Quando meu pai saia, meu avô dizia: “seu pai só falta colocar um peixe no cu pra parecer sereia. Vai gosta de aparecer!… É o diabo!… É o diabo!…”

Minha mãe quando o via sair, também comentava algo, sorria e dizia: “pelo menos tem comida em casa!”.

Continue reading →


30
Jul 10

Vilancete

Guimaraens Passos

Saudades mal compensadas,
Por que motivo as tomei?
Como agora as deixarei?

Voltas

Hoje por coisas passadas,
E só por vosso respeito,
Varado vejo meu peito,
Senhora, por Sete Espadas,
Saudades mal compensadas
Destes-me rindo, e não sei
Por que motivo as tomei…

Busquei-vos por brincadeira,
Aceitastes-me por brinco;
Quis-vos depois como afinco,
Não me quis vossa cegueira.
Vejo-me desta maneira…
Penas que eu próprio busquei,
Como agora as deixarei?


30
Jul 10

Monólogo com a sombra

Rogério Augusto

Não adianta me seguir.
Estou tão perdido quanto você.


28
Jul 10

Dom Casmurro – Breves comentários!

Laís Azevedo

Findei hoje a leitura de Dom Casmurro, de Machado de Assis. Como boa fã da literatura naturalista, digo-lhes que relutei em ler o escritor fluminense, posto que ele não poupava críticas aos discípulos de Émile Zola. Minha atitude foi simplesmente: estúpida. Dom Casmurro, com certeza, merece estar na lista dos melhores romances do século XIX, quiçá  na lista dos melhores romances de  todos os tempos.

Não me deterei a Machado de Assis, especificamente; prefiro, lado outro, concentrar-me, mormente, na história de Bento. Porém, aconselho aos visitantes, como um complemento, se acharem necessário, os outros textos, postados aqui no site site, que trabalham melhor as escolhas estéticas do autor, bem como às influências literárias e não-literárias do mesmo. Dito isso, vamos a Dom Casmurro.

Continue reading →


27
Jul 10

Ilusões perdidas

Laís Azevedo

“Ilusões Perdidas” é o segundo romance balzaquiano que compõe a trilogia informal da “Comédia Humana” formada por: “O pai Goriot” e “O mistério e o esplendor das cortesãs”. Essa tríade é considerada por grande parte dos críticos a melhor realização de Honoré de Balzac. Foi em “Pai Goriot”, por exemplo, que Balzac começou a mesclar personagens doutras obras de sua “Comédia”. Essa aparição de personagens, ora como protagonistas, ora como coadjuvantes foi responsável pela grandiosidade e pela inovação de Balzac no tocante ao romance moderno.

Pois bem, mas o que torna “Ilusões perdidas” tal sensacional? O romance que possui, pelo menos na edição da editora Estação Liberdade, mais de 700 páginas, na verdade é formado por três narrativas, que logicamente estão interligadas. A primeira parte intitulada de “Dois poetas” apresenta as personagens que desempenharam um papel de destaque no romance. A principal delas é Lucien, um belo rapaz que sonha em alcançar sucesso com seus poemas e sua em prosa, esse último um romance histórico à Walter Scott.

Continue reading →

Originally posted 2010-04-13 02:56:50. Republished by Blog Post Promoter


27
Jul 10

Características anti-narrativas em Memórias Póstumas de Brás Cubas

Leonardo C.

Este texto busca explicitar algumas informações sobre as caractéristicas anti-narrativas no livro Memórias Póstumas de Brás Cubas. A bibliografia baseia-se, mormente, no livro de história literária de Afrânio Coutinho e em outros textos, esses reunidos no primeiro volume das obras completas de Machado de Assis publicado pela editora Nova Aguilar.

O texto? Ei-lo:

O período oitocentista brasileiro foi palco de várias transformações concernentes à politica, à economia e à estética. No início do aludido século, em 1808, devido a chegada da família real, o país, que na época era somente mais uma das várias colônias lusas, sofreu diversas modificações para abrigar a refugiada corte de Dom João VI. Além das modificações estruturais que ocorreram, basilarmente, na cidade do Rio de Janeiro e da elevação politica do Brasil a Reino Unido de Portugal, o príncipe regente criou a Impressão Régia, essa foi responsável pela produção de jornais e uma quantidade maior de livros no pais. Todavia, vale lembrar que obras literárias e doutros gêneros já circulavam no Brasil, porém devido as restrições da metrópole, a produção das mesmas era proibida.

Continue reading →


27
Jul 10

Esaú e Jacó – Algumas considerações

Laís Azevedo

Joaquim Maria Machado de Assis é, sem dúvida, um dos literatos brasileiros mais celebrados de todos os tempos. O autor que se aventurou em diversos gêneros literários é, atualmente, um dos escritores mais estudados pela crítica nacional.

Exímio contista, Machado de Assis deixou também romances de bastante qualidade e sucesso: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Quincas Borba. Essa tríade de obras é, com certeza, a mais conhecida do escritor fluminense. Todavia, como se sabe, o autor de Helena produziu romances toques românticos e outros em sua fase dita mais madura, tais como: Esaú e Jacó e Memorial de Aires; sendo esse último, o último livro publicado pelo escritor

Um escritor realista?

Boa parte dos historiadores literários buscaram encaixar Machado de Assis no movimento Realista brasileiro, uma vez que Memórias Póstumas de Brás Cubas juntamente com O mulato de Aluísio Azevedo inauguraram, em 1881, o movimento duma literatura “real” nas terras brasileiras. O problema nessa história toda é que a obra de Machado difere-se muito do realismo-naturalismo praticado tanto em França (terra de origem dos romances de tese) como no Brasil. Pode-se afirmar isso, logicamente, lendo as obras de Machado. Não há uma preocupação do escritor carioca em nortear seus narradores, personagens, a estrutura de seus romances tendo como base as teorias cientificistas, tais como: o evolucionismo social, o determinismo, o positivismo, etc. Pelo contrário, o autor de Quincas Borba beberá em outras fontes. Suas influências literárias e filosóficas, que ele não faz questão de esconder, concentram-se mormente nas obras escritas por autores ingleses como: Shakespeare, Sterne. O primeiro, com Otelo talvez tenha sido uma boa inspiração para a composição de Dom Casmurro. De Sterne, Machado de Assis aproveitou a composição tipográfica e o maneira de estruturar os romances, com o uso, por exemplo, de capítulos curtos e bastante ironia. Elementos esses que seriam utilizado pelos modernistas somente após 1922. De fato, Machado era um escritor de vanguarda.

Continue reading →


27
Jul 10

Frankenstein

Felipe Crispi

Doutor Victor Frankenstein, moribundo, narra sua história de como a cobiça e curiosidade cientifica o levou a experimentos monstruosos que criou uma aberração que acabou com sua vida e a de seus entes próximos e fê-lo partir em uma jornada em busca de vingança.

Em “Frankenstein” (Ed. LPM, 2005) Mary Shelley narra uma história fantástica de terror na qual duelam a fé e a ciência, a tradição e o exploração do desconhecido. Sua narrativa é bonita, intensa, detalhada e bastante sentimental.

Os personagens são ricos e tanto criador quanto criatura, homem e monstro, são repletos de belezas e horrores pessoais. A narrativa não é complicada, embora seja pomposa; característica essa que pode desanimar alguns leitores.


26
Jul 10

A saga de José

Leonardo Quintela

e agora, josé?

.
seguinte, vai ancorar um navio, vindo da jamaica, lá no porto de itaguaí. tu chega lá e procura pelo Bollota, que é o fiscal chefe de lá. o cara sabe que tu vai chegar nele, mas não sabe como é a tua cara, nisso segue a senha pra não dar muita bandeira junto aos traficas, que geralmente são homens duplos. pergunta pra ele onde se pode comprar uma camisa do walderrama, o colombiano. aí ele vai te acompanhar até a sala do “carlito” que é o homem de ferro do Fernandinho. estando juntos vocês dois, aja com naturalidade como quem já sabe de todo o esquema. é isso.

Continue reading →


26
Jul 10

Lira dos vinte anos – crítica escrita por Machado de Assis

_lvares_de_azevedo_1jpgSeguimos nessa semana publicando alguns dos trabalhos de Machado de Assis. Agora é a vez de apreciarmos as críticas literárias produzidas pelo escritor fluminense. A primeira, que escolhemos para colocar no sitei, foi publicada em 1866 no Diário do Rio de Janeiro; nesta Machado faz uma breve análise da obra Lira dos vinte anos do ilustre poeta Álvares de Azevedo.

Continue reading →

Originally posted 2009-05-23 17:38:42. Republished by Blog Post Promoter