Laís Azevedo
Quem acompanha o site e lê os textos que escrevo, já deve ter notado a minha admiração pelos escritores realistas-naturalistas. Confessor que o meu preferido dentre os franceses é Émile Zola. Flaubert, apesar de ser considerado um escritor de primeira, acho cansativo, cheio de descrições de cenários, indumentárias e características das personagens que ocupam páginas e mais páginas. Maupassant, até então, eu nunca havia lido. Sabia que ele escrevera diversos contos, novelas e alguns romances, porém, eu nunca havia me arriscado. Entretanto, graças ao excelente trabalho da editora Estação Liberdade, pude conferir um dos melhores romances do século XIX que já li, trata-se de Bel-Ami.
A obra traz a história de Georges Duroy, um jovem que vai para Paris e torna-se, com a ajuda dum amigo, um jornalista. A partir daí, o rapaz inteligente, esperto, bonito e sedutor seduz as mulheres de vários figurões da sociedade parisiense, tornando-se, assim, um homem rico e famoso. O enredo lembra Ilusões Perdidas de Balzac, que traz a história dum rapaz, Lucien, que se aventura também pela capital da França; todavia, as semelhanças param por aí. O protagonista, criado por Maupassant, é um verdadeiro anti-herói, um dos mais perfeitos que já vi em ação; ele passa por cima de todos para alcançar seus objetivos. Bel-Ami, apelido de Duroy, é um chantagista, mulherengo, enganador; enfim, ele um homem que encara a sociedade como uma selva competitiva, local onde só o mais forte pode vencer.
Poder-se-ia dizer que Maupassant é um escritor que não abusa do cientificismo zolista e também não cai nas descrições tediosas de Flaubert. O autor vale-se duma linguagem enxuta e simples, mas que não é pobre e nem simplória. A agilidade da prosa romanesca do autor de Bel-Ami, talvez, seja um reflexo do seu trabalho como contista. Como se sabe, no conto, a rapidez e a economia de recursos é quase obrigatória. Maupassant que escreveu inúmeras narrativas curtas aplicou esses elementos na composição de Bel-Ami, o resultado só poderia ser esse: um dos maiores clássicos da literatura ocidental.
A tradução de Leila de Aguiar Costa é competente e ideal para o leitor atual, uma vez que ela elimina os tempos verbais da segunda pessoa do singular e do plural. O uso do pronome de tratamento “você” torna a leitura mais leve e, penso, que respeita mais o estilo de Maupassant.
As obras completas do autor foram lançadas também na década de 1950 aqui no Brasil e, posteriormente, publicadas nesta década pela editora Itatiaia. Enfim, quaisquer que sejam as edições que vocês escolherem, não deixem de ler Maupassant
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