Resenhas


8
Sep 10

Seda

Felipe Crispi



Em 1861, na mesma época em que Flaubert escrevia Salommbô, um homem que comercializa ovos de bicho de seda para uma cidade francesa que subsiste a partir do comércio da seda é incumbido de se aventurar até o distante e exótico Japão para comprar ovos saudáveis enquanto os ovos de toda Europa e Oriente Médio estão sofrendo com uma praga.

Em “Seda” (Ed. Companhia das Letras, 2009) Alessandro Baricco conta a história de uma viagem a um país exótico e como isso afeta seu visitante. Conta a história da vida de um homem. E conta a historia de um romance.

Sua narrativa é rica e concisa e Baricco exprime em 120 páginas uma história bela, complexa e completa. Todo o texto é estruturado com ritmo, quase poético, que embala a leitura de forma agradável e pontua várias mudanças.

Baricco é também autor de “Sem Sangue” e “Essa História”.


5
Sep 10

Um estudo em vermelho

Felipe Crispi

Um recém reformado médico de guerra se instala em um apartamento na cidade de Londres na companhia de um excêntrico cavalheiro indicado por um amigo dividindo as despesas de modo a economizar dinheiro. Seu companheiro se mostra bastante misterioso e curioso até que dois oficiais da Scotland Yard bate a sua porta a procura do auxilio de seu companheiro para desvendar um crime aparentemente insolúvel.

Em “Um estudo em Vermelho” (Ed. Jorge Zahar, 2009) Arthur Conan Doyle narra o primeiro romance de Sherlock Holmes. Quando Watson e Holmes se conhecem e o primeiro caso em que trabalham juntos. A trama cria um padrão que está presente em toda obra envolvendo Holmes, onde a lógica e o método cientifico é aplicado na resolução de casos criminalísticos de forma vanguardista prenunciando uma época bem posterior, como muitos investigadores contemporâneos citam em “Não existe crime perfeito”.

Essa edição faz parte de uma reunião definitiva da editora Jorge zahar sobre Sherlock Holmes e é ilustrada e comentada. OS comentários inundam o texto, saciando os mais curiosos e sendo em sua maioria enfadonhos para o leitor não tão curioso com as observações e notas do uso dos chapéus, cigarros e tantos outros assuntos triviais sobre a época. Essas notas podem ser ignoradas a maior parte das vezes.


26
Aug 10

“A décima segunda noite”, de Luis Fernando Verissimo – Por Jefferson Luiz Maleski

verissimoshakeNovamente, LFV mostra que é muito criativo em seus romances. Mesmo A Décima Segunda Noite sendo inspirado na peça A Noite de Reis, de Shakespeare, o escritor gaúcho soube dar o seu toque de humor e originalidade. Primeiro, ele brinca com o narrador impessoal, quando bota a história sendo contada por um papagaio. Depois, a trama à parte que serve de introdução e conclusão em cada um dos capítulos é muito boa, como se fosse uma história à parte. Também é perceptível os maneirismos que LFV coloca no narrador, assim como o fez no Clube dos Anjos: Gula.

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25
Aug 10

O lado B da Literatura Brasileira – Flor de sangue – Valentim Magalhães – Por Gabriel Diniz

19332641Inauguramos com o romance Flor de sangue nossa categoria intitulada de “Lado B” da literatura. A ideia é trazer para o site resenhas e análises de obras que nos manuais de História da Literatura, às vezes, são mencionadas em notas de rodapé.

Seguindo uma linha de estudo tradicional, falemos primeiramente do autor.

Antônio Valentim da Costa Magalhães nasceu no Rio de Janeiro, em 1859; faleceu em 1903. Como grande parte dos escritores oitocentistas, ele também formou-se em Direito. No de 1878, com a ajuda de Silva Jardim, publicou seu primeiro livro, “Idéias de moço”. Afora isso, transitou pelos mais diversos gêneros e exerceceu a crítica literária.

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19
Aug 10

Drácula

Felipe Crispi

Um corretor que se envolve em uma viagem até as montanhas da Transilvânia (Romênia) para atender as necessidades de mudança de um excêntrico conde que na verdade é um monstro. A partir daí a vida do corretor e daqueles que lhe são próximos nunca mais é a mesma.

Essa é uma sinopse (tem-se a idéia de redução) pobre de Drácula (Ed. LPM, 1998) do autor irlandês Bram Stoker (original de 1897). Há  diversas formas diferentes de se criar uma sinopse dessa história, que possui diferentes tempos e protagonistas, difícil porém, sem lhe revelar o conteúdo.

O enredo é rico e belo. Os personagens são fortes e carismáticos, principalmente o monstro, que indiretamente é o protagonista da história. Indiretamente porque a historia é narrada em primeira pessoa, mas não pelo Conde Drácula, mas sim por suas vítimas. Repleto de suspense e aventura. E com um terror sutil e profundo.

A narrativa é engenhosa. São anotações em diários de personagens diferentes, que narram diferentes acontecimentos que se deram em momentos diferentes da história, mas que se ligam. A base do suspense está enraizada na narrativa. É bastante descritivo e rico em detalhes.

Essa obra deu origem a vários filmes e outros subprodutos (como revistas) além de firmar o vampiro no hall da fama entre os monstros. Um dos filmes mais prestigiados é a versão do diretor Francis Ford Coppola (EUA, 1992) que se atem fiel ao texto. Mas já deu origem a outros muito diferentes, como Nosferatu (Alemanha, 1922) do diretor F. W. Murnau. O filme do Coppola, embora seja muito bom, perde o recurso da narrativa por mostrar a história como um todo, comum em toda e qualquer adaptação, mas perde aquilo que há de mais criativo no texto.nosferatu,

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18
Aug 10

Livro dos seres imaginários

Felipe Crispi

No “Livro dos seres imaginários” (Ed. Companhia das Letras, 2007), Jorge Luis Borges faz um apanhado de 116 criaturas fantásticas de origens diversas na imaginação do homem, artística ou mitológica, derivadas de toda parte do mundo.

Cada criatura é acompanhada de sua descrição, origem e referencias, assim como versões e comparações. As descrições são curtas, variando de uma a quatro páginas cada uma. Apesar de ser ordenado em ordem alfabética, pode-se muito bem abrir aleatoriamente em qualquer pagina e ler.

Estão listados muitos seres conhecidos e muitos outros, pouco famosos de regiões pouco exploradas pelas publicações normais que tratam do assunto. Há criaturas derivados da arte literaria, como da obra de Kafka, e  das viagens de Marco Pólo.


14
Aug 10

“Os sertões”, de Euclides da Cunha!

Rodrigo Gurgel

A obra de Euclides da Cunha pode, com certeza, ser incluída naquele rol de livros sobre os quais muito se fala, mas que poucos lêem. E os que olham para o calhamaço com certa desconfiança, desacreditando da importância do livro e da necessidade – sempre apregoada – de lê-lo, têm certa razão. A Euclides foi reservado, nas escolas, o mesmo papel desempenhado por Camões: instrumento útil às provas ou exames ardilosos, quando o objetivo do professor medíocre é humilhar toda a classe, mostrando como ninguém domina os meandros da análise sintática. Muitos supostos mestres disseminaram dessa forma – e continuam a disseminar – o terror entre seus alunos, condenando o estudo da língua ao ódio dos jovens. E, ao mesmo tempo, condenando Euclides — e tantos outros clássicos — à repulsa dos prováveis leitores.

Os efeitos de um tal trabalho de contra-propaganda são inúmeros. O senso comum alardeia os epítetos conferidos a Os Sertões, dos quais o mais corriqueiro é “difícil”, corroborando o esforço dos professores no sentido de tornar, não o livro, mas a imagem que se faz dele, a mais hermética possível. De fato, nada pode ser melhor à preservação do estado em que se encontra o Brasil, do que distanciar os cérebros de qualquer vislumbre de inteligência. E, principalmente, das inteligências — como a de Euclides da Cunha — que, esforçando-se, de maneira crítica, para compreender nosso país e nossas contradições seculares, produziu um livro que, ao completar 100 anos neste dezembro, permanece avesso às classificações fáceis e às sínteses superficiais.

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11
Aug 10

O Médico e o Monstro

Felipe Crispi

Um advogado parte em uma busca pessoal da verdade por trás do estranho comportamento de seu amigo Dr. Jekyll e se depara com um crime cometido por um sujeito misterioso e desagradável que é influencia recente e intensa na vida do amigo, o Mr. Hyde.

Em “O Médico e o Monstro” (Ed. LPM, 2002) de Robert Louis Stevenson parte do terror tradicional, onde um mal externo e completo traz a desgraça, para o horror pessoal e intimo onde a fonte do terror é ninguém além do próprio torturado.

Sua narrativa pode ser pouco atrativa por ser antiga, do século 19, e não muito rica em descrição nem muito comovente. Mas o tema tratado e o mistério no qual a história é envolta são ricos e instigantes. Apesar da popularidade da obra ter criado diversas referencias em tantos meios diferentes, desde citações em filmes, quadrinhos e desenhos animados nos quais o mistério central da história já é conhecido, ainda restam diferentes encantos a serem descobertos nos detalhes.

Outra obra famosa de Stevenson é a Ilha do tesouro, uma aventura piratesca.


9
Aug 10

“Bel-Ami” – de Guy de Maupassant – clássico do séc. XIX

Laís Azevedo

Quem acompanha o site e lê os textos que escrevo, já deve ter notado a minha admiração pelos escritores realistas-naturalistas. Confessor que o meu preferido dentre os franceses é Émile Zola. Flaubert, apesar de ser considerado um escritor de primeira, acho cansativo, cheio de descrições de cenários, indumentárias e características das personagens que ocupam páginas e mais páginas. Maupassant, até então, eu nunca havia lido. Sabia que ele escrevera diversos contos, novelas e alguns romances, porém, eu nunca havia me arriscado. Entretanto, graças ao excelente trabalho da editora Estação Liberdade, pude conferir um dos melhores romances do século XIX que já li, trata-se de Bel-Ami.

A obra traz a história de Georges Duroy, um jovem que vai para Paris e torna-se, com a ajuda dum amigo, um jornalista. A partir daí, o rapaz inteligente, esperto, bonito e sedutor seduz as mulheres de vários figurões da sociedade parisiense, tornando-se, assim, um homem rico e famoso. O enredo lembra Ilusões Perdidas de Balzac, que traz a história dum rapaz, Lucien, que se aventura também pela capital da França; todavia, as semelhanças param por aí. O protagonista, criado por Maupassant, é um verdadeiro anti-herói, um dos mais perfeitos que já vi em ação; ele passa por cima de todos para alcançar seus objetivos. Bel-Ami, apelido de Duroy, é um chantagista, mulherengo, enganador; enfim, ele um homem que encara a sociedade como uma selva competitiva, local onde só o mais forte pode vencer.

Poder-se-ia dizer que Maupassant é um escritor que não abusa do cientificismo zolista e também não cai nas descrições tediosas de Flaubert. O autor vale-se duma linguagem enxuta e simples, mas que não é pobre e nem simplória. A agilidade da prosa romanesca do autor de Bel-Ami, talvez, seja um reflexo do seu trabalho como contista. Como se sabe, no conto, a rapidez e a economia de recursos é quase obrigatória. Maupassant que escreveu inúmeras narrativas curtas aplicou esses elementos na composição de Bel-Ami, o resultado só poderia ser esse: um dos maiores clássicos da literatura ocidental.

A tradução de Leila de Aguiar Costa é competente e ideal para o leitor atual, uma vez que ela elimina os tempos verbais da segunda pessoa do singular e do plural. O uso do pronome de tratamento “você” torna a leitura mais leve e, penso, que respeita mais o estilo de Maupassant.

As obras completas do autor foram lançadas também na década de 1950 aqui no Brasil e, posteriormente, publicadas nesta década pela editora Itatiaia. Enfim, quaisquer que sejam as edições que vocês escolherem, não deixem de ler Maupassant

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9
Aug 10

Stonehenge

Felipe Crispi

Uma aventura por um tempo esquecido e tribal, na qual um homem trabalha na construção de um templo e vivencia os mistérios de Stonehenge em de 2000 AC.

Em Stonehenge (Ed. Record, 2008), Bernard Cornwell parte de uma das mais populares teorias arqueológicas sobre a construção do monumento para criar uma ficção tribal de um tempo não registrado, em que o protagonista, diferente de todos os demais seus personagens de obras traduzidas para o português, não é um guerreiro, mas sim um construtor. Assim, ele é incumbido da missão de construir um templo para o seu povo.

Bernard Cornwell que sempre faz uma descrição da sociedade, dos exércitos e guerras através de um corte por personagens inseridos nesses contextos de forma brilhante e rica, em Stonehenge adota o mesmo procedimento,porém foca uma sociedade muitíssimo menor. Isto não impede que o escritor apresente uma descrição riquíssima, que não empobrece pelo numero reduzido da população, nem pela qualidade rústica e primitiva da sociedade.

Os personagens são carismáticos e a descrição é rica e agradável. Bernard Cornwell é autor também das Crônicas de Artur, trilogia A Busca do Graal, das Crônicas Saxônicas, O Condenado, Azincourt, e Aventuras de Sharpe.