Por Letícia Nogueira 
Boteco. Nas paredes do estabelecimento várias fotos.
[Papa Bento XVI com a cara desbotada. No alto da cabeça do pontífice dois chifres feitos à caneta] [Michael Jackson segurando com a mão esquerda os testículos, a mão direita projecta-se em direcção ao céu; ao lado das nádegas do ídolo pop, um pênis à caneta descomunal força a entrada de seu ânus]
Geraldo: Cara, eu me preocupo com o clima do mundo, sabe?
Milton: Foda-se o clima, Geraldo! Foda-se o clima!
Geraldo: Que isso, cara? Porra, que isso!…
Milton: Olha, vou te ser sincero, vai tudo tomar no cu, morô?
Geraldo: Você fala como os capitalistas…
Milton: Falo como um cara inteligente, que manja das coisas. Se tiver que cortar duas árvores pra que eu possa comer, que eles cortem. Eu tô é pouco me fodendo, entendeu?
Geraldo: Está louco, os rios…
Milton: Foda-se, eu cago neles, você caga, seu bisavô cagou, sua bisavó cagou e por aí vai… deixa eu te fazer uma pergunta? Posso?
Geraldo: Olha…
Milton: Seguinte, você tem filhos?
Geraldo: Não. Mas…
Milton: Pretende ter?
Geraldo: Não. Mas…
Milton: Agora me pergunte!
Geraldo: Perguntar o quê?
Milton: O que eu te perguntei, porra.
Geraldo: Você tem filhos? Pretende ter?
Milton: Não, não, não. NÃO, NÃO (levanta o copo de pinga para o alto) NÃO. / Vem forrozeira, vem fazer um quetineti em mim, vemmmmm! /
Geraldo: E daí?
Milton: E daí que quando tudo tiver fodido, nós já estaremos longe, entendeu?
Geraldo: Que isso, Milton…
Milton: Que isso nada. Meu irmão, eu e você, nós dois, ambos nós, ambos nós dois já estamos no bico do corvo. “Nevermore, nevermore!”, igual o corvo do Poe, sacou?
Geraldo: Mas…
Milton: Você acha que o Poe, um cara das antigas, um verdadeiro underground, ficava nessa boiolice com esse lance de natureza. Não, meu irmão, não. O lance dele era escrever sobre corvos do inferno, sacou? O que fodeu tudo foram esses hippies filhos-da-puta que ficam aí enchendo o saco, mas eles todos cagam nos rios, todos eles!, pegou, hein? Se o Poe tivesse aqui, o corvo dele iria usar uma camiseta do Green Peace. Tomar no cu, num agüento. E outra, com a tecnologia mundial, se eles colocam um cacete maior do que dum jumento no meio das pernas da mulher, e uma racha no meio das pernas dum homem, você duvida que esses caras não vão superar isso não, hein?
Geraldo: Você é desalmado, car. / Come on baby light my fire!, Come on baby light my fire… /
Milton: Desalmado é o teu pai, aquele bicha velha, pederasta de marca maior, que soltava o cu na praça e aplicava silicone industrial nas bichonas da Avenida Pedro Segundo.
Geraldo calou-se. Deixe Geraldo calado, nos não o veremos mais. Também não veremos mais o Milton. Falemos do pai de Geraldo, o Joel, conhecido como “O Pomba d’oiro”.
Joel, nome de guerra “Juliana Pomba d’oiro”. Começou como vendedor de panos, lá conheceu Sandra. Casaram-se, um ano depois nasceu o filho Geraldo Magela. O nome foi em homenagem ao santo.
Geraldo era feliz, quando a mulher ia para a casa da mãe, nos finais de semana, Geraldo inventou uma desculpa para não acompanhar Sandra. Disse que no dia seguinte foi acometido por uma caganeira intermitente. A esposa, no primeiro dia compreendeu. Todos os finais de semana Joel adoecia. Quando Sandra saía, vestia as roupas da mulher, era um crossdresser. Não preciso dizer, mas vou dizer, que a mulher descobriu, pois com base no número de patologias que Joel alegava ter nos finais de semana, dava para matar 98% da população humana numa só tacada. Não suportou o comportamento do marido, fugiu de casa e levou o filho.
Noutro dia Joel pediu as contas na loja de panos. Comprou tudo em silicone industrial, queria aplicar na bunda, queria aplicar em Sandra e no filho até que os dois explodissem, fossem crescendo, inchando feito um bolo, inchando feito um balão, e PUM! PUM! PUM! Explodissem, PUM!
Originally posted 2009-12-17 11:33:36. Republished by Blog Post Promoter