Novelas


27
Aug 10

O marcador de página – Sigismund Krzyzanowski

74446Sigismund Kryzanowski, o nome polonês, porém pertence a um escritor russo, pouco conhecido, porém com um talento enorme. Publicado pela Editora 34, na tradução de M. Aparecida B. P. Soares, O marcador de página faz parte da chamada Coleção Leste, cujo intuito, como já foi dito em outra resenha neste site, é o de lançar nas terras brasileiras obras da chamada Europa-Centro-Oriental. Infelizmente o livro encontra-se esgotado há bastante tempo. Entretanto, é possível encontrar em alguns sebos. Por sorte, eu achei um exemplar novo numa das livrarias de Belo Horizonte. Continue reading →

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24
Jul 10

Novela erótica/pornográfica – Cap. V – Final!

Alice Dias

LEIA TAMBÉM O CAPÍTULO I

LEIA TAMBÉM O CAPÍTULO II

LEIA TAMBÉM O CAPÍTULO III

LEIA TAMBÉM O CAPÍTULO IV

Noite. O som de copos batendo de encontro às mesas, as gargalhadas das mulheres nuas e a fumaça, a qual desprendia dos charutos dos homens que apalpavam o seio das garotas de Madame Lúcia, traziam aos meus olhos um espetáculo digno das orgias promovidas por Calígula.

Lívia e eu estávamos juntas ao lado dum cavalheiro. Ele puxava o meu rosto, enquanto Lívia abocanhava-lhe o pau de maneira voraz. O homem estava em êxtase. Sua língua buscava à minha de modo selvagem e afobado. A cada onda prazer que parecia lhe invadir o corpo, graças a língua de Lívia passeando pela cabeça de seu pau, o homem apertava meu seios e, de quando em vez, invadia, com um dos dedos, minha boceta.

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23
Jul 10

Novela erótica/pornográfica – Cap. IV

Alice Dias

LEIA TAMBÉM O CAPÍTULO I

LEIA TAMBÉM O CAPÍTULO II

LEIA TAMBÉM O CAPÍTULO III

As máscaras que não caem!

Apesar da lapidar noite que tive com os dois homens que compraram minha virgindade, fui acordada, logo ao alvorecer, por uma outra garota da casa, Lívia. Ela trouxe-me uns vestidos, ajudou-me com o cabelo, maquiou-me e me explicou que, apesar das orgias nocturnas, todas as moças acordavam cedo. Segundo ela, Lúcia dizia, para as autoridades e para o clero, que tínhamos uma casa de costura. A senhora, que leiloara minha honra, gabava-se que ,devido aos bons contos de réis deixados pelo marido, decidira ensinar às meninas pobres um ofício.

Aparências, mo dissera Lívia, dado que os padres, bem como vários políticos frequentavam o local, alguns, inclusive, com as esposas, que participavam, às vezes, da orgia. Todavia, as máscaras eram importantes, dissera-me naquele momento Lívia. Sendo assim, deveríamos fingir  que costurávamos algumas coisas; as máscaras deveriam permanecer intactas. A podridão deve ficar oculta, pois o cheiro que ela emana deve ser camuflado com perfumes feitos em França.

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22
Jul 10

Novela erótica/pornográfica – Cap. III

Alice Dias

LEIA TAMBÉM O CAPÍTULO I

LEIA TAMBÉM O CAPÍTULO II

Com o baú em mãos ganhei a saída de minha casa.

Comecei a caminhar em direcção a Lisboa. Era noite. Valia-me somente duma tocha que arranquei da entrada de minha residência. Eu não era uma camponesa e nem uma operária da cidade; enfim, não estava acostumada com semelhante esforço físico. Não resisti, caí no meio da estrada.

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21
Jul 10

Novela erótica/pornográfica – Cap. II

Alice Dias

Leia também o primeiro capítulo!

Aos poucos, visualizei a silhueta de minha irmã Júlia. A parca luz da vela iluminava seus cabelos doirados, o rosto branco e bem delineado. Levando o indicador à boca, entendi que ela pedia meu silêncio. Andando na ponta dos pés, colocou a vela em cima da secretária e depois sentou-se na cama, ao meu lado.

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20
Jul 10

Novela erótica/pornográfica em cinco capítulos – I

Alice Dias

O texto de Alice Dias, que será publicado, de agora avante, no literatura em foco, é uma tentativa de resgatar a tradição das novelas eróticas e pornográficas do século XVIII e XIX. Percebe-se, na leitura dos cinco capítulos que fazem parte da narrativa, uma forte influência de Marquês de Sade, John Cleland e demais autores anônimos que usaram o gênero romance para descrever aventuras e desventuras de heroínas ou anti-heroínas; trajetórias essas, cujo sexo desempenhava um papel primordial. Confiram o primeiro capítulo!

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28
May 10

Nevermore, Nevermore!- I

Por Letícia Nogueira tenniel-theraven

Boteco. Nas paredes do estabelecimento várias fotos.

[Papa Bento XVI com a cara desbotada. No alto da cabeça do pontífice dois chifres feitos à caneta] [Michael Jackson segurando com a mão esquerda os testículos, a mão direita projecta-se em direcção ao céu; ao lado das nádegas do ídolo pop, um pênis à caneta descomunal força a entrada de seu ânus]

Geraldo: Cara, eu me preocupo com o clima do mundo, sabe?
Milton: Foda-se o clima, Geraldo! Foda-se o clima!
Geraldo: Que isso, cara? Porra, que isso!…
Milton: Olha, vou te ser sincero, vai tudo tomar no cu, morô?
Geraldo: Você fala como os capitalistas…
Milton: Falo como um cara inteligente, que manja das coisas. Se tiver que cortar duas árvores pra que eu possa comer, que eles cortem. Eu tô é pouco me fodendo, entendeu?
Geraldo: Está louco, os rios…
Milton: Foda-se, eu cago neles, você caga, seu bisavô cagou, sua bisavó cagou e por aí vai… deixa eu te fazer uma pergunta? Posso?
Geraldo: Olha…
Milton: Seguinte, você tem filhos?
Geraldo: Não. Mas…
Milton: Pretende ter?
Geraldo: Não. Mas…
Milton: Agora me pergunte!
Geraldo: Perguntar o quê?
Milton: O que eu te perguntei, porra.
Geraldo: Você tem filhos? Pretende ter?
Milton: Não, não, não. NÃO, NÃO (levanta o copo de pinga para o alto) NÃO. / Vem forrozeira, vem fazer um quetineti em mim, vemmmmm!  /
Geraldo: E daí?
Milton: E daí que quando tudo tiver fodido, nós já estaremos longe, entendeu?
Geraldo: Que isso, Milton…
Milton: Que isso nada. Meu irmão, eu e você, nós dois, ambos nós, ambos nós dois já estamos no bico do corvo. “Nevermore, nevermore!”, igual o corvo do Poe, sacou?
Geraldo: Mas…
Milton: Você acha que o Poe, um cara das antigas, um verdadeiro underground, ficava nessa boiolice com esse lance de natureza. Não, meu irmão, não. O lance dele era escrever sobre corvos do inferno, sacou? O que fodeu tudo foram esses hippies filhos-da-puta que ficam aí enchendo o saco, mas eles todos cagam nos rios, todos eles!, pegou, hein? Se o Poe tivesse aqui, o corvo dele iria usar uma camiseta do Green Peace. Tomar no cu, num agüento. E outra, com a tecnologia mundial, se eles colocam um cacete maior do que dum jumento no meio das pernas da mulher, e uma racha no meio das pernas dum homem, você duvida que esses caras não vão superar isso não, hein?
Geraldo: Você é desalmado, car. /  Come on baby light my fire!, Come on baby light my fire… /
Milton: Desalmado é o teu pai, aquele bicha velha, pederasta de marca maior, que soltava o cu na praça e aplicava silicone industrial nas bichonas da Avenida Pedro Segundo.

Geraldo calou-se. Deixe Geraldo calado, nos não o veremos mais. Também não veremos mais o Milton. Falemos do pai de Geraldo, o Joel, conhecido como “O Pomba d’oiro”.

Joel, nome de guerra “Juliana Pomba d’oiro”. Começou como vendedor de panos, lá conheceu Sandra. Casaram-se, um ano depois nasceu o filho Geraldo Magela. O nome foi em homenagem ao santo.

Geraldo era feliz, quando a mulher ia para a casa da mãe, nos finais de semana, Geraldo inventou uma desculpa para não acompanhar Sandra. Disse que no dia seguinte foi acometido por uma caganeira intermitente. A esposa, no primeiro dia compreendeu. Todos os finais de semana Joel adoecia. Quando Sandra saía, vestia as roupas da mulher, era um crossdresser. Não preciso dizer, mas vou dizer, que a mulher descobriu, pois com base no número de patologias que Joel alegava ter nos finais de semana, dava para matar 98% da população humana numa só tacada. Não suportou o comportamento do marido, fugiu de casa e levou o filho.

Noutro dia Joel pediu as contas na loja de panos. Comprou tudo em silicone industrial, queria aplicar na bunda, queria aplicar em Sandra e no filho até que os dois explodissem, fossem crescendo, inchando feito um bolo, inchando feito um balão, e PUM! PUM! PUM! Explodissem, PUM!

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19
May 10

Cartas do Suriname – Cap. VII

suriname_flagPor Letícia Nogueira

Carta 18.

Mãe, aqui no Suriname acontecem umas coisas estranhas. Eu estava a andar pela rua; de repente, apareceram dois mancebos, eles cercaram um outro que estava também a caminhar, dispararam cinco tiros contra ele. Dez horas depois a polícia chegou. Eu contei tudo. Um dos policiais disse: “Puta merda! Que azar!, morreu com cinco disparos. A causa mortis”, disse ele triunfante, “bala perdida!, bala perdida!”

Carta 19.

Mãe, no Suriname está tendo uma onda por mortes em decorrência das balas perdidas. Morreram dez pessoas; a média de balas perdidas para cada vítima são de 6 balas. Mãe, estou com medo dessas balas que buscam afecto no corpo de outrem.

Carta 20.

Mãe, aluguei um porco, ele sabe falar:  “Brasil”. O prefeito/médico o viu, e disse: “Só nascem porcos no Brasil!”. Mãe, manda o dinheiro para mim e para o porco.

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14
Apr 10

Enquanto o mundo fede em pequenos pensamentos

grey_sky_1024Por Luiz Filho

CAPÍTULO I

Eu tinha lido algo sobre o universo hype de Carolina Fairbanks. Ela curtia meninas e dub, mas podia mudar de idéia assim como trocava de calcinha no banheiro do Metrô. Era o lado que ela julgava obscuro, assim como no sonho americano de Mailler em que a lua tragava seus devaneios. Sentia o mel escorrer ao observar o volume nas calças masculinas às sete da manhã. Levantava e empinava a bundinha esperando o roçar matutino dos cacetes trabalhadores. Descia, entrava no banheiro, trocava a calcinha e colocava os fones de ouvido. Ah, o relaxamento proporcionado por King Tubby e Lee Scratch Perry. Chegou na agência, deu beijinho na boca de bom-dia em todas as meninas, abriu os e-mails e lá estava mais um briefing.

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19
Mar 10

Cartas do Suriname – Cap. II – Por Letícia Nogueira

suriname_flagCarta 5.

Mãe, não sei se continuo com as cartas. A senhora não mandou o dinheiro, por quê? Mãe, o pai antes de viajar para cá, dentro do avião, ele me disse: “filha, quando eu morrer coloque uma peruca loira em mim, prometa que vai colocar”. Mãe, eu não tinha dinheiro para por a peruca no pai. Manda o dinheiro pelo menos para por o cabelo loiro nele. Beijos!
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