Artigos


25
Aug 10

Divulgação de blogs/sites de literatura

Amigos visitantes, iremos divulgar, aqui, outros blogs relacionados à literatura. Os links dos sites serão expostos na coluna direita do site. Pedimos, em troca, que vocês ajudem-nos a divulgar o literaturaemfoco! em seus blogs.

Para participar, basta vocês deixarem, nos comentários, o endereço do seu blog, bem como o nome do mesmo. Deixe o endereço no corpo do comentário, certo?

Abraços!

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27
Jul 10

Características anti-narrativas em Memórias Póstumas de Brás Cubas

Leonardo C.

Este texto busca explicitar algumas informações sobre as caractéristicas anti-narrativas no livro Memórias Póstumas de Brás Cubas. A bibliografia baseia-se, mormente, no livro de história literária de Afrânio Coutinho e em outros textos, esses reunidos no primeiro volume das obras completas de Machado de Assis publicado pela editora Nova Aguilar.

O texto? Ei-lo:

O período oitocentista brasileiro foi palco de várias transformações concernentes à politica, à economia e à estética. No início do aludido século, em 1808, devido a chegada da família real, o país, que na época era somente mais uma das várias colônias lusas, sofreu diversas modificações para abrigar a refugiada corte de Dom João VI. Além das modificações estruturais que ocorreram, basilarmente, na cidade do Rio de Janeiro e da elevação politica do Brasil a Reino Unido de Portugal, o príncipe regente criou a Impressão Régia, essa foi responsável pela produção de jornais e uma quantidade maior de livros no pais. Todavia, vale lembrar que obras literárias e doutros gêneros já circulavam no Brasil, porém devido as restrições da metrópole, a produção das mesmas era proibida.

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27
Jul 10

Esaú e Jacó – Algumas considerações

Laís Azevedo

Joaquim Maria Machado de Assis é, sem dúvida, um dos literatos brasileiros mais celebrados de todos os tempos. O autor que se aventurou em diversos gêneros literários é, atualmente, um dos escritores mais estudados pela crítica nacional.

Exímio contista, Machado de Assis deixou também romances de bastante qualidade e sucesso: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Quincas Borba. Essa tríade de obras é, com certeza, a mais conhecida do escritor fluminense. Todavia, como se sabe, o autor de Helena produziu romances toques românticos e outros em sua fase dita mais madura, tais como: Esaú e Jacó e Memorial de Aires; sendo esse último, o último livro publicado pelo escritor

Um escritor realista?

Boa parte dos historiadores literários buscaram encaixar Machado de Assis no movimento Realista brasileiro, uma vez que Memórias Póstumas de Brás Cubas juntamente com O mulato de Aluísio Azevedo inauguraram, em 1881, o movimento duma literatura “real” nas terras brasileiras. O problema nessa história toda é que a obra de Machado difere-se muito do realismo-naturalismo praticado tanto em França (terra de origem dos romances de tese) como no Brasil. Pode-se afirmar isso, logicamente, lendo as obras de Machado. Não há uma preocupação do escritor carioca em nortear seus narradores, personagens, a estrutura de seus romances tendo como base as teorias cientificistas, tais como: o evolucionismo social, o determinismo, o positivismo, etc. Pelo contrário, o autor de Quincas Borba beberá em outras fontes. Suas influências literárias e filosóficas, que ele não faz questão de esconder, concentram-se mormente nas obras escritas por autores ingleses como: Shakespeare, Sterne. O primeiro, com Otelo talvez tenha sido uma boa inspiração para a composição de Dom Casmurro. De Sterne, Machado de Assis aproveitou a composição tipográfica e o maneira de estruturar os romances, com o uso, por exemplo, de capítulos curtos e bastante ironia. Elementos esses que seriam utilizado pelos modernistas somente após 1922. De fato, Machado era um escritor de vanguarda.

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16
Jul 10

Homossexualidade nas literaturas de língua portuguesa do séc. XIX

Laís Azevedo

Homossexualidade é um tabu, ainda nos dias de hoje. Imagine esse tema sendo tratado no século XIX? No Brasil e em Portugal, o homossexualismo foi aduzido na literatura de cunho naturalista. Naquele período, assim como há pouco tempo (falo aqui no tocante à ciência e não ao pensamento de determinadas camadas da sociedade), optar por alguém do mesmo sexo era visto como uma doença, um desvio de comportamento que levava o indivíduo a um estado degradante. A literatura naturalista, contaminada pela ciência que estava desenvolvendo-se a todo vapor no século XIX, coadunava, também, com a ideia de que os homossexuais eram indivíduos enfermos.

Nos oitocentos, os ideais duma família estruturada por: marido, mulher e filhos, foram levados ao extremo. À mulher cabia a administração da casa, o orçamento e a educação dos filhos. O homem, por seu turno, era o provedor. Foi no período oitocentista que as crianças ganharam um novo olhar. Outrora, por exemplo, não havia o período da adolescência. Assim, os infantes eram tratadas como adultos em miniatura. Isso fica bem explícito nas pinturas renascentistas, barrocas e, claro, nos documentos dessas épocas.

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5
Jul 10

Algumas considerações sobre o escritor Coelho Neto

Nas aulas de literatura brasileira do Ensino Médio, os únicos autores representativos das primeiras décadas do século 20 são Machado de Assis, Lima Barreto, Graça Aranha, Monteiro Lobato… Machado encerrava o realismo, enquanto os outros três eram expoentes do pré-modernismo.

Eu sempre tive a certeza de que o Brasil não teve, naqueles anos, apenas estes quatro autores. De fato, houve muitos outros, alguns deles considerados hoje importantes. E mais: houve gente muito mais popular do que estes citados, como Coelho Neto, também autor, segundo Roberto de Sousa Causo, que é formado em letras pela USP, o principal livro de ficção científica escrito no Brasil: “Esfinge”, de 1906.

A discussão sobre os critérios que levam os professores de português a considerar uns e não outros como os mais importantes até poderia gerar polêmica, mas a questão é que todo autor brasileiro respeitado pelos meios acadêmicos tem como foco os problemas sociais. Para os professores de literatura brasileira, escritor brasileiro que não fala sobre as mazelas dos pobres coitados brasileiros não pode ser considerado escritor. Também foi notável a crítica voraz que os modernistas faziam a Coelho Neto. No entanto, em seu tempo, foi um respeitadíssimo autor que chegou à presidência da Academia Brasileira de Letras e foi parte indispensável da cultura e história do Brasil. Foi ele quem deu ao Rio de Janeiro o apelido de “Cidade Maravilhosa”.

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18
Jun 10

Sobre as mulheres I

Arthur Schopenhauer


Coito e gravidez:
O coito é principalmente coisa de homem; a gravidez, total e somente da mulher.

Paciência e submissão:
A simples observação da figura feminina já mostra que a mulher não foi destinada a grandes trabalhos intelectuais ou tampouco físicos. Ela carrega a culpa da vida não por meio da ação, mas do sofrimento, por meio das dores do parto, do cuidado com as crianças, da submissão ao homem para quem ela deve ser uma companheira paciente e alegre.  Os mais intensos pesares e alegrias não lhe são destinados; ao contrário, sua vida deve transcorrer de forma mais serena, mais insignificante  e mais moderada do que a do homem, sem que possa ser essencialmente mais feliz ou infeliz.

O destino da mulher:
As mulheres existem somente para a propagação da espécie, e seu destino se reduz a isso; assim, elas geralmente vivem mais para a espécie do que para o indivíduo; no fundo, levam mais a sério os assuntos da espécie do que os dos indivíduos. Isso confere a toda sua essência e a todos os seus impulsos uma certa leviandade e uma posição basicamente diferente das do homem, o que origina a discórdia tão frequente e quase normal no casamento.

O dinheiro:
No fundo, as mulheres pensam que os homens estão destinados a ganhar dinheiro, enquanto elas, ao contrário, devem gastá-lo – se possível ainda durante o tempo de vida do homem, ou ao menos, após a sua morte. O próprio fato do homem entregar a ela o dinheiro para o orçamento doméstico reforça nelas essa crença.

De que idade?
A consideração mais importante, que orienta nossa escolha e inclinação, é a idade. No geral, podemos estabelecer o período que engloba os anos que vão desde a primeira menstruação até a última. Contudo, decisivamente damos preferência ao período que vai dos dezoito aos vinte e oito anos. Fora desses anos, nenhuma mulher é capaz de nos excitar: uma velha, ou seja, uma mulher que não menstrua mais, desperta a nossa repugnância. A juventude sem beleza tem ao menos atração; a beleza sem a juventude, não.


7
Jun 10

Ditos e ditos

Retirado da revista Nonada

1. Em duas palavras: im-possível. Um contrato verbal não vale a tinta com que é assinado (Samuel Goldwin, chefão de estúdios de cinema).

2. Você tentou me passar para trás. Não vou processar você porque a lei leva muito tempo. Vou arruinar você. (Cornelius Vanderbilt, milionário americano).

3. O mundo pode ser um palco, mas o elenco é um horror (Oscar Wilde).

4. Não fui ao enterro dele, mas mande um bilhete simpático dizendo que deve ter sido um sucesso (Mark Twain).

5. Toda indicação moral, na maioria dos casos, é 2% moral, 48% indignação e 50% inveja (Victorio de Sica, diretor de cinema italiano).

6. Não é que eu tenha medo de morrer. Apenas não quero estar vivo quando acontecer (Woody Allen, cineasta americano).

7. O supérfluo é uma coisa extremamente necessária (Voltaire, filósofo francês).

8. Basta ler uma página do livro de certos escritores para perceber que eles estão despontando para o anonimato (Stanislaw Ponte preta, escritor brasileiro).

9. Algumas pessoas escrevem tão bem que tenho ganas de devolver minha pena para o ganso (Fred Allen).

10. Ronald Reagan já tingiu tantas vezes seu cabelo que até sua caspa é technicolor.

11. O Destino tem sido generoso comigo. Não quer que eu fique famoso muito jovem (Duke Elligton, depois que seu nome foi recusado para o Prêmio Pulitzer em 1975).

12. Há três coisas de que sempre me esqueço: rostos, nomes, e a terceira… Não me lembro. (Ítalo Svevo, escritor italiano).

13. O que o mundo precisa é de mais gênios humildes. Hoje restam poucos de nós (Oscar Levant).

14. Viver bem é a melhor vingança.

15. O diabo é um otimista, se acha que pode tornar as pessoas piores que já são (Karl Kraus, escritor austríaco).

16. Tive uma ideia maravilhosa hoje de manhã, mas não gostei dela.

17. por que tive que nascer com tais contemporâneos? (George Bernard Shaw, escritor irlandês).


6
Jun 10

Primeira frase dos grandes livros

Retirado da revista  “Nonada”

Alice começava a enfadar-se de estar sentada no barranco junto à irmã e não ter nada que fazer: uma ou duas vezes espiara furtivamente o livro que ela estava lendo, mas não tinha figuras nem diálogos, “e de que ser um livro” — pensou Alice — “sem figuras e diálogos?”.
Alice no país das maravilhas. Lewis Carroll. Trad. de Sebastião  Uchoa Leite.

Não é sem interesse, vez por outra, examinar como desperta na lembrança um personagem esquecido há muito tempo que, nessa hora, traz consigo todo o período da nossa vida em que desempenhou um papel.
O poste de vapor. Ferenc Monár. Trad. de Paulo Schiller.

Hoje, nesta ilha, aconteceu um milagre: o verão se adiantou.
A invenção de Morel. Adolfo Bioy Casares. Trad. de Samuel Tiran Jr.

Era inevitável: o cheiro das amêndoas amargas lhe lembrava o destino dos amores contrariados.
O amor nos tempos do cólera. Gabriel Garcia Marquez. Trad. de Antônio Callado.

Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranquilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso.
A metamorfose. Franz Kafka. Trad. de Modesto Carone.

Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira.
Anna Kariênina. Liev Tolstoi. Trad. de Rubens Figueiredo.


10
May 10

O mundo fantástico da ciência náutica portuguesa

Pedro Silva

Como deves saber, não foi nada fácil descobrir tantos e tão longínquos lugares. Na altura, não havia nem telefones, nem computadores nem nenhum outro aparelho sofisticado que ajudasse os navegadores a encontrar territórios ainda desconhecidos. Assim, tiveram de utilizar a inteligência.

Por certo nem imaginas o número de invenções que foram necessárias para tornar possível que as viagens pelo perigoso mar fossem uma realidade.

Os meios de transporte

Sendo por via marítima, só os barcos poderiam auxiliar. De início, os portugueses usavam apenas a Barca e o Barinel. Eram pequenos e frágeis. Por vezes à base da força dos remos. Não estavam, portanto, preparados para grandes viagens. Mesmo assim, foi com estas pequenas embarcações que chegámos às ilhas da Madeira e dos Açores, entre outras. As pequenas velas, ajudadas pelo forte vento, auxiliavam os portugueses a chegar onde sonhavam.

Mas os sonhos eram cada vez mais ambiciosos. E é então que surge a Caravela. Por certo já ouviste falar da Caravela. Inicialmente era um barco de pesca. Mas a sua dimensão levou a que as suas três velas permitissem chegar à costa africana, um pouco mais longe.

Apesar de ter sido muito importante, a Caravela não era ainda capaz de chegar tão longe quanto os portugueses queriam. Surge, então, a Nau. Com um tamanho impressionante, esta embarcação tornou-se o principal auxílio marítimo para chegar mais longe do que nunca, cruzando o Cabo das Tormentas e chegando à Índia e ao Brasil.

Havia sido um navio de transporte de mercadorias. Mas agora, equipada com canhões e soldados, estava pronta para enfrentar todos os perigos das viagens marítimas de longa distância.

Convém é que não esqueças de algo muito importante: foi pela capacidade de não desistir, mesmo quando as viagens não corriam tão bem, que os portugueses conseguiram chegar tão longe, pelo mar fora. Esta é uma lição de vida que todos deveríamos seguir. Nunca desistir perante dificuldades. Quando pensares que não és capaz de fazer algo, por julgares ser demasiado difícil, lembra-te dos navegadores portugueses. Eles, em pequenos barcos, enfrentaram os mares e as tempestades, chegando onde nenhum outro Homem havia chegado por mar. É por isso que, ainda hoje, tantos anos passados, os seus nomes são lembrados como heróis!

A Cartografia

Por outro lado, e como na época não haviam instrumentos electrónicos, os portugueses teriam de confiar em mapas. Como vês, já na altura o papel, a escrita e o desenho eram muito importantes. Antes de haver computadores, eram os livros que tudo ensinavam.

Estes mapas, também conhecidos por cartas náuticas, eram desenhados à medida que as viagens iam acontecendo. Por cada lugar onde passassem, os navegadores faziam as suas anotações. Isto permitia que, quem viesse depois, teria todas as informações para evitar os perigos e saber o caminho correcto que deveria tomar.

Aos desenhadores de mapa chamava-se cartógrafos. Na altura, era uma das profissões mais importantes. Entre os mais famosos contam-se os nomes de:

- Jaime de Maiorca (que ajudou o Infante D. Henrique a preparar os Descobrimentos)

- Lopo Homem (ao serviço do rei português D. Manuel I; desenhou vários planisférios, sendo responsável por fazer e emendar todas as bússolas)

- Diogo Soares (o primeiro cartógrafo a definir latitudes e longitudes do território brasileiro)

- Abraão Zacuto (para além de astrónomo era matemático e os seus conhecimentos foram fundamentais para criar um novo astrolábio)

Os Instrumentos de Navegação

Entre os vários instrumentos de que os portugueses se serviram para tornar possíveis as descobertas marítimas, podemos destacar cinco. Por certo já terás ouvido falar de algum deles na escola ou na televisão, até porque são muito conhecidos.

Em primeiro lugar, a Balestilha que se supõe ter sido inventada pelos portugueses. Trata-se de um instrumento que media a altura em graus que unia o horizonte ao astro. Desta forma, encontrava-se os ângulos, antes e após os meridianos. Não parece fácil compreender exactamente do que se trata, mas o importante é perceber que sem ele a navegação não seria tão fácil.

Outro instrumento foi a Esfera Armilar. Tão crucial foi que simbolizou a época dos Descobrimentos. Por isso faz hoje em dia parte da bandeira portuguesa. Trata-se de um modelo reduzido do globo terrestre, no qual os navegadores mediam a sua posição relativamente ao Sol e restantes astros.

Em terceiro lugar temos o Astrolábio, um dos instrumentos navais mais antigos. Era usado muitos séculos antes de os portugueses se servirem dele para as navegações. Era utilizado para determinar a posição dos astros no céu, tendo em conta que, durante a noite, quando o sol desaparecia, continuava a ser fundamental saber que direcção tomar.

Em quatro lugar, a bússola. Por certo, também terás uma pequena bússola em casa ou já viste alguma. É um aparelho que aponta, sempre, o eixo norte-sul, em direcção ao norte magnético da Terra. Desta forma, seja qual for a tua posição, os navegadores sabiam sempre onde se encontrava o norte. Assim, podiam definir melhor a sua rota.

Por último, o Quadrante. Passou a ser utilizado pelos marinheiros de Portugal a partir do século XV. Através da sua utilização sabia-se a posição dos astros, tendo a forma de um quarto de círculo, indo dos 0 aos 90 graus. Com este aparelho poderia determinar-se se o navio se encontrava mais a norte ou mais a sul, através da medição do ângulo que a Estrela Polar faz com o horizonte ou através da medição da inclinação do astro solar.

As Técnicas de Navegação

Entre as várias técnicas que existiam para se chegar a bom porto, uma das mais difíceis deveria ser a chamada “Navegação à Bolina”. Neste caso, consistia em navegar contra ventos desfavoráveis, o que não era tão raro quanto isso. De facto, à medida que os marinheiros portugueses abandonavam o Hemisfério Norte chegando ao Sul, as marés e os ventos tornavam-se ainda mais desfavoráveis. Portanto, a experiência era muito importante e os navegadores de Portugal tinham-na em larga dose.

Assim sendo, podemos perceber a importância dos instrumentos náuticos e do conhecimento profundo sobre marés e ventos. Havia, como tal, que fazer algumas viagens com o objectivo de procurar informações sobre meteorologia e sobre os oceanos. Em algumas dessas viagens de reconhecimento do terreno, por vezes, encontram-se novas ilhas, como aconteceu com a Madeira e os Açores, arquipélagos portugueses.

Outra das técnicas chama-se “Navegação à Volta do Mar Largo”. Consistia em dar uma volta mais larga do que o necessário. A intenção era procurar ventos mais favoráveis que soprassem forte nas velas, levando a embarcação a navegar mais rapidamente. Curiosamente, foi esta técnica que permitiu a Pedro Álvares Cabral descobrir o Brasil pois a sua missão inicial era fazer o caminho marítimo para a Índia, no seguimento do seu antecessor Vasco da Gama.

Por tudo isto não podemos deixar de imaginar como eram bravos e inteligentes estes nossos marinheiros. Acreditas que tenham conseguido descobrir tantos países pelo mundo fora apenas por sorte? Não, foi o destino em união com a força de vontade de todos aqueles homens e mulheres que tudo fizeram para tornar possível a epopeia dos Descobrimentos.

Alguns termos náuticos

Se algum dia quiseres ser marinheiro, ou apenas por curiosidade, aqui se deixam algumas palavras que só os homens do mar conhecem e que muito utilizam.

Amainar significa colher, ou apanhar, as velas. Os marinheiros também costumam dizer “arriar” as velas. Se ainda não sabes, uma vela é a estrutura de tecido, ou outro tipo de material, que se serve da força do vento para empurrar a embarcação.

Um casco é a parte de baixo do navio, que lhe permite flutuar ao cimo da água. Sem um casco, a embarcação ia ao fundo, afogando-se.

A proa é a parte da frente de um barco, ao passo que a popa significa a parte de trás (ou ré).

Quando ouvires falar em barlavento, isso quer dizer que é desse lado que sopra o vento. Já sotavento é exactamente o contrário. Ou seja, sotavento é o vento contrário.

Uma bóia de arinque é usada para assinalar o local onde se encontra a âncora. Já agora, digo-te que uma âncora é uma peça em ferro usada para prender o barco ao fundo do mar, evitando assim que o mesmo navegasse sozinho e deixasse os marinheiros em terra!

Com certeza já ouviste falar em bombordo e estibordo. Bombordo, como a palavra indica, vem de “bom bordo”, ou “lado bom”. No caso, é a parte à esquerda da direcção que o navio toma. E porquê “bom”? Por ser o lado de melhor visibilidade. Sabes que, no passado, havia piratas e muitas disputas em alto-mar, pelo que a atenção era fundamental. Já no que diz respeito a estibordo é o lado à direita do navio.

Bem, penso que agora já sabes tudo o que é necessário para ser um bom marinheiro. Quem sabe, um dia, não encontras uma ilha ainda por descobrir, algures num mar longínquo? Ia ser muito divertido, não achas?


9
May 10

Em quem o “literatura em foco” votará para presidente este ano!


Em quem você votará, caro visitante?!