July, 2009


31
Jul 09

Dois poemas de Raul de Leoni

raulRaul de Leoni foi um dos poetas brasileiros que figurou durante o século XX como um dos mais reeditados. Sua única obra, Luz Mediterrânea, publicada em 1922 angariou enorme sucesso perante a crítica e ao público. Seus versos, apesar de terem sido publicados na mesma década em que o movimento modernista no Brasil surgia, não continham nenhum dos traços modernistas. Sua poesia possuía influências do simbolismo e do parnasianismo. Todavia, não enquadrava-se em nenhum desses estilos de época.

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31
Jul 09

Cartas do Suriname – Cap. I

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Por Letícia Nogueira

Carta 1.

Mãe, eu não queria ser tão direta, mas num vai ter jeito, o papel no Suriname é caro, muito caro. Mãe, o pai morreu. Foi assim: ele foi ao médico (mãe, no Suriname os médicos se vestem com terno preto e gravata vermelha ) reclamou de dor no peito. O médico deu uma risada, disse assim: “gases, gases”. Mandou ele para casa. Papai riu e disse: “imagina!, ir no médico por causa dum peidos de nada”. O resto a senhora já sabe. Manda um dinheiro, senão num dá para enterrar o pai.

Carta 2.

Mãe, como a senhora não mandou dinheiro, eu tive que enterrar o pai no quintal mesmo. A senhora imagina, mãe, que aqui no Suriname tem um imposto para ser enterrado? Eu perguntei o porquê da taxa; o médico — que mandou o papai peidar em casa —  é, também, o prefeito da cidade; ele disse assim: “se vocês pagam imposto para cagar lá no Brasil, por que aqui não podem pagar para morrer no Suri Suri?”

Carta 3.

Mãe, ontem eu acordei o pai estava desenterrado, acho que a cova ficou rasa demais. Tinha dois cachorros comendo o cu do pai, mãe, literalmente. O que aconteceu com a senhora? Às vezes penso que a senhora não gostava muito do pai, e que deve estar rindo com a boca bem aberta, só porque eu disse que um pastor alemão comeu o cu dele. Mãe, manda dinheiro. Ah! O prefeito perguntou se a senhora gosta dum coroa charmoso.

Carta 4.

Mãe, o dinheiro não chegou. Eu falei para o médico/prefeito o que aconteceu. Ele disse que se fosse no Brasil o cu do pai já estaria no osso bem antes dele morrer. Mãe eu quero ir embora daqui. Manda o dinheiro.

Leia o Capítulo II


31
Jul 09

“Flores da Lua”, poema de Cruz e Sousa.

24969-9-blue-moon-rose-black-and-whiteBrancuras imortais da Lua Nova,
frios de nostalgia e sonolência…
Sonhos brancos da Lua e viva essência
dos fantasmas noctívagos da Cova.

Da noite a tarda e taciturna trova
soluça, numa trêmula dormência…
No mais branda, mais leve florescência
tudo em Visões e Imagens se renova.

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31
Jul 09

Confissões Ofegantes de Um Puto Transtornado Cap. XII

manet1- ave maria.
- ave maria. simbora pro bar.

Esse não era buteco fuleiro não! Era bar! Bar mesmo! Daqueles que só prestam serviços aos executivos e aos estagiários metidos a executivos, posição na qual nos encontrávamos.

Cerveja, pinga, cerveja, pinga, cerveja, pinga, uísque, uísque, uísque, uísque, uísque…

- como é que nós vamos pagar essa conta?
- Renatão, agora ela já está impagável. vamos nos preocupar em aumentar essa cagada. tá vendo aquelas duas ali?
- uma é gostosa e a outra não.
- então eu fico com a gostosa.
- não não…da última vez você ficou com a gostosa. hoje sou eu.

Na verdade as duas eram muito bonitas. O diferencial estava na largura do quadril e na cor dos olhos. Ao meu lado sentou-se a de quadril largo e olhos castanhos e ao lado do Renato sentou-se a esguia de olhos verdes.

- qual seu nome?
- Alexandre Isamov Abramovixi Mainha. Respondi com seriedade. O Renatão subiu nos cascos:

- Porra, cara! Já vai começar com essas suas asneiras?! Pega leve…pega leve…

- e você, olhos de amêndoa, que nome recebeu dos progenitores?
- cara, você fala engraçado pra caramba! Meu nome é Patrícia. Você trabalha por aqui?
- trabalho sim. Sou engenheiro geral de uma empresa americana que fabrica armas de destruição em massa.
- nossa!
- pois é. Estou aqui para desestressar. É que fizemos testes hoje e morreram alguns funcionários.
- meu deus!
- e você, gorducha, faz o quê?
- gorducha não! Péra aí!
- vai aonde? Vai procurar alguma barraca de churros?
- vá se fuder, seu cretino.

- porra, meu! de novo isso?! não saio mais com você não!
- eita, Renato! que lesera é essa?! pede a conta e vamos pro bar do teu irmão.

A conta já não era daquelas que dois fudidos podem fazer com um papel e uma caneta.

- e agora?
- agora, rentato, dá um cheque que amanhã eu pago minha parte.
- que cheque porra nenhuma! Você bem sabe que não tenho cheque!

- caralho, renato, mas você só faz besteira!
- eu?! eu é que só faço besteira?!
- bicho, você consegue correr?
- consigo.
- então, tchau…

Subi a avenida numa carreira que faria gosto ao Carl Lewis, seguido de perto pelo Renato.

- parô parô… eu disse.
- deus te fez sem juízo.
- foda-se. Preciso mijar e realizar um sonho.
- que foi agora?
- vou mijar na porta do banco do brasil
- nós vamos ser presos.
- ta vendo algum guarda?
- não.
- então lá vai mijo.


31
Jul 09

Cigarro, Cerveja, Mesa de Sinuca e Outras Coisas…

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Por Leonardo Quintela

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não costumo dizer que sustento meus vícios pelo prazer que ele proporciona, mas pela companhia agradável de meus amigos num sábado a tarde. ou melhor, uma aposta. ou melhor ainda, o papo fiado.

é desse papo que nascem as “verdadeiras verdades”. em volta da mesa, entre um gole e outro traçamos o perfil fiel da mulher brasileira. não que ela seja fiel. entre um trago e outro tentamos, em vão, entendê-las. elas não nos entendem. e é entre uma tacada e outra que suspiramos aliviados por tê-las em casa. há controvérsias.
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31
Jul 09

Boca do inferno – Otto Lara Resende

boca_do_infernoO jornalista e escritor Otto Lara Resende, citado em demasia nas obras do prosador e dramaturgo Nelson Rodrigues, publicou nos final dos anos 50 do século passado um livro de contos intitulado Boca do Inferno. Antes tecermos comentários acerca da obra, é interessante, a título de curiosidade, saber que a Otto foi atribuída a famosa frase “O mineiro é solidário só no câncer”, dita por uma das personagens da obra dramática “Bonitinha mais ordinária ou Otto Lara Rezende”, de Nelson Rodrigues. Porém, segundo Otto, ele nunca disse a frase. O mineiro também é citado inúmeras vezes no folhetim, que depois foi compilado em livro, Asfalto Selvagem – Engraçadinha seus amores e seus pecados. Muitos chegaram a pensar, principalmente aqueles que conheceram o escritor das Minas Gerais através da obra rodrigueana, que ele tratava-se de uma personagem, isto é, que fazia parte apenas de obras ficcionais. Sabe-se que os dois escritores eram grandes amigos. Conta-se que Nelson era obcecado por Otto. Sendo assim, em tom de brincadeira, e ao mesmo tempo no intuito de homenagear o companheiro, sempre o citava em suas obras. Eu mesmo fui um leitor que conheceu Otto por intermédio do autor de Vestido de noiva.

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30
Jul 09

Do Veridinício

nightdeadPor Anderson H

a história do homem começa no álcool, no tabaco e no sexo.

não adianta me apresentarem teorias outras que confrontem a minha teoria própria! fato é que se Adão não tivesse abotoado as calças e dito a Eva “amor, vou comprar cigarros”, estaríamos hoje morando nus no meio do mato e alimentando leões com frutas cítricas.

mas o cara quis sair portão a fora e é claro que encontrou um bar e que no bar encontrou cerveja e encontrou cigarros e encontrou alguém diferente para trepar.
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30
Jul 09

Confissões Ofegantes de um Puto Transtornado, Cap. IX, X, XI

manet1Por Anderson H

IX
- pelo amor de deus! tá todo mundo amando?! você acha que esse mundo vai longe assim?! vai nada, porra! a vida é feita de curvas e no fim da pista tem um penhasco! agora, me diz: cadê seu pára-quedas? seu pára-raios? seu pára-brisa? seu pára-choque? seu pára…

- pára pára pára que vai dar o pinel na máquina, sô! ô moço, larga a cafeteira! deixa a gente beber um cadinho! depois cê continua proseando com ela!

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30
Jul 09

Análise do poema “A arte de amar”, de Manuel Bandeira

20080408manuelbandeirajpg1“Arte de amar” é um poema de Manuel Bandeira que compõe a obra Belo Belo publicada em 1948. O livro foi incluído na nova edição de Poesias Completas; esta lançada pela primeira vez em 1940. Durante a década de quarenta, Bandeira já era um poeta elogiado pela crítica. Seus poemas tinham alcançado enorme aceitação entre o público. A admiração pelo poeta era tamanha. A prova disso se deu na década anterior, mais especificamente em 1936 — ano do cinquentenário de Bandeira —, quando os amigos editaram um livro intitulado de Homenagem a Manuel Bandeira. A obra continha estudos críticos, comentários e impressões sobre o poeta.

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29
Jul 09

Confissões Ofegantes de um Puto Transtornado – Cap VI, VII

manet1Por Anderson H

VI

Eu estava mais é a fim de beber. Um calor do cão… Paletó e gravata… puta merda!

- Não, querida! Hoje eu dispenso o prato feito. Desce aí uma cerveja trincando e me dá um cigarro solto.
- Vai beber durante o expediente?!
- Não, querida! Beber é pros que têm educação. Eu vou é tomar.

Voltei ao escritório já no final do dia. A secretária, Dona Márcia, estava numa gostosura muito além da conta para os padrões da empresa, que buscava passar de Ltda para Navio Pirata S.A..

- Mas o Senhor está embriagado!
- Mas a Senhora está uma delícia!

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