- ave maria.
- ave maria. simbora pro bar.
Esse não era buteco fuleiro não! Era bar! Bar mesmo! Daqueles que só prestam serviços aos executivos e aos estagiários metidos a executivos, posição na qual nos encontrávamos.
Cerveja, pinga, cerveja, pinga, cerveja, pinga, uísque, uísque, uísque, uísque, uísque…
- como é que nós vamos pagar essa conta?
- Renatão, agora ela já está impagável. vamos nos preocupar em aumentar essa cagada. tá vendo aquelas duas ali?
- uma é gostosa e a outra não.
- então eu fico com a gostosa.
- não não…da última vez você ficou com a gostosa. hoje sou eu.
Na verdade as duas eram muito bonitas. O diferencial estava na largura do quadril e na cor dos olhos. Ao meu lado sentou-se a de quadril largo e olhos castanhos e ao lado do Renato sentou-se a esguia de olhos verdes.
- qual seu nome?
- Alexandre Isamov Abramovixi Mainha. Respondi com seriedade. O Renatão subiu nos cascos:
- Porra, cara! Já vai começar com essas suas asneiras?! Pega leve…pega leve…
- e você, olhos de amêndoa, que nome recebeu dos progenitores?
- cara, você fala engraçado pra caramba! Meu nome é Patrícia. Você trabalha por aqui?
- trabalho sim. Sou engenheiro geral de uma empresa americana que fabrica armas de destruição em massa.
- nossa!
- pois é. Estou aqui para desestressar. É que fizemos testes hoje e morreram alguns funcionários.
- meu deus!
- e você, gorducha, faz o quê?
- gorducha não! Péra aí!
- vai aonde? Vai procurar alguma barraca de churros?
- vá se fuder, seu cretino.
- porra, meu! de novo isso?! não saio mais com você não!
- eita, Renato! que lesera é essa?! pede a conta e vamos pro bar do teu irmão.
A conta já não era daquelas que dois fudidos podem fazer com um papel e uma caneta.
- e agora?
- agora, rentato, dá um cheque que amanhã eu pago minha parte.
- que cheque porra nenhuma! Você bem sabe que não tenho cheque!
- caralho, renato, mas você só faz besteira!
- eu?! eu é que só faço besteira?!
- bicho, você consegue correr?
- consigo.
- então, tchau…
Subi a avenida numa carreira que faria gosto ao Carl Lewis, seguido de perto pelo Renato.
- parô parô… eu disse.
- deus te fez sem juízo.
- foda-se. Preciso mijar e realizar um sonho.
- que foi agora?
- vou mijar na porta do banco do brasil
- nós vamos ser presos.
- ta vendo algum guarda?
- não.
- então lá vai mijo.