Por Lauro Drummond
Como tornar-se um poeta? É isso que tentarei ensinar para vocês, caros leitores do “literatura em foco”.
Você, um aspirante a poeta, deve, agora, estar se perguntando o seguinte:
Por onde devo começar?
Você, na verdade, já começou, pois está, neste examento momento, lendo este fantástico artigo.
Vou ser famoso?
Não, não será. Infelizmente todos os poetas que um dia poderiam alcançar o estrelato morreram no século XX. Os melhores morreram no século XIX.
Que merda! Então para que serei poeta?
Quicá, para de quando em vez, poder falar assim: eu sou poeta.
Publicarei meu livro um dia?
Claro que sim! Se você puder pagar todo custo de produção dum livro, você será publicado! Não desanime, até mesmo os melhores já fizeram isso. O Manuel Bandeira, por exemplo, pagou dou próprio bolso para lançar um livro.
Que bom, então serei tipo o Manuel Bandeira, um poeta foda!
Não, não será. Lembre-se que todos os poetas fodas morreram no século XX.
Eu quero ser poeta assim mesmo, foda-se!
Certo! Então começemos agora!
1. O nome
Para tornar-se um poeta, você precisa dum bom nome. Recorrer a pseudônimos é uma boa alternativa principalmente quando você não tem um sobrenome, cuja primeira letra seja igual a dum poeta famoso. Vamos a exemplos:
João Carlos Zurel: Péssimo nome, não há poetas tão famosos com sobrenomes que começam com a letra Z.
Marcelo Nunes Gonzaga: Bem melhor, não? Seu livro ficará ao lado dum poeta árcade, Tomás Antônio Gonzaga.
Bom, acho que você entendeu o espírito da coisa.
2. Escolha uma escola
Todo poeta deve se filiar a uma escola. Não tente bancar o fodão, o moderninho, o alternativo, querendo criar algo diferente. Simplesmente isso é impossível, não dá. Os movimentos poéticos, na verdade, deveriam ser dividos apenas em somente três: Clássico, Romântico e Moderno. Veja o porquê.
Clássicos: Homero, Camões, Gregório de Matos, Cláudio Manoel da Costa, Olavo Bilac etc.
Interessante, não? Há uma explicação.
Levando em consideração que Homero foi um dos grandes poetas clássicos, os outros citados, apesar de terem participado de escolas diferentes, apenas imitavam os clássicos.
Camões: Classicismo - cópia dos clássicos em pleno século XVI
Gregório de Matos: Barroco -cópia dos clássicos em pleno século XVII
Claudio Manoel da Costa: Arcadismo – cópia dos clássicos em pleno século XVIII
Olavo Bilac: Parnasianismo – cópia dos clássicos em pleno século XIX.
Românticos: Byron, Alexandre Herculano, Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Junqueira Freire, Castro Alves, Alphonsus de Guimaraens, Florbela Espanca etc.
O que o Alphonsus está fazendo aí, o que a Florbela está fazendo aí? Bom, eles são considerados Simbolistas. Esses podem ser chamados de românticos amadurecidos. É isso!
Modernos: Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Carlos Drummond, Haroldo de Campos e todos os outros que vieram depois.
Concretismo e demais movimentos faziam o mais do mesmo, são modernos e mais nada.
Qual devo escolher?
Indicamos para você, um jovem juvenil garoto iniciante no Parnaso, a escola Modernista, ela é a melhor para leigos, visto que:
- Você pode usar versos livres, isto é, não precisa de saber as regras de métrica.
- Você pode escrever prosa e falar que ela é um poema. Veja um exemplo:
Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
— O que eu vejo é o beco
Porra!, acho que isso não é um poema!
Errado! Na visão dos modernistas, o que está escrito em itálico é um poema.
- Você pode usar e abusar dos versos brancos (esse recurso pode ser utilizado nas escolas clássicas e românticas).
- Você pode fazer poema com objetos idiotas. Por exemplo: escrever um monte de palavras e pregar num guarda-chuva! Belo, não? Você ainda será considerado um poeta de Vanguarda. Porém, lembre-se, você não está criando nada inédito.
- E, inclusive, pode não saber escrever poemas. Boa parte dos modernos faziam justamente isso!
Ok, escolhi minha escola!
Parabéns, agora escolha uma doença uu uma multilação!
3. Doenças
Todo poeta que se preze deve, até mesmo você, meu caro jovem juvenil aspirante a poeta, deve escolher uma doença.
Indicamos para os iniciantes a Tuberculose. Essa enfermidade foi sucesso no século XIX e fez vítimas também durante o século XX. É algo retrô! Algo que nunca sai de moda. Tuberculose é uma boa pedida para os jovens poetas.
Não gostou da Tuberculose? Ok, sem problemas! Seja um devasso! Escolha Sífilis, Gonorreia e demais DSTs.
Quer algo mais hardcore? Ok, vamos lá! Que tal seguir a onda do poeta luso Camões? Fure um de seus olhos!
Não gostou? Ok, sem problemas! Então, faça como Castro Alves, dê um tiro no próprio pé! Não gostou? Quebre um de seus pés, seja coxo, tal como Byron (recomendado àqueles que escolheram a escola Romântica)