“Se eu morrese amanhã!”, de Álvares de Azevedo

allegheny-cemetery-ionic-column-01Trago-vos, aqui, outro poema do ilustre mancebo Álvares de Azevedo. “Se eu morresse amanhã” foi composta por Álvares de Azevedo em suas últimas férias. O poema foi lido por Joaquiam Manuel de Macedo, durante o sepultamento do jovem poeta. Ademais, os versos acompanharam a nota de falecimento, que fora publicada em 1852 no jornal Correio Mercantil.

Se eu morresse amanhã!

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta gloria pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azu! que doce n’alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã…
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

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