O Seminarista

For_Few_Dollars_More_8Por Gabriel Diniz

Na semana passada, no sábado, ao abrir a Folha de São Paulo, fiquei feliz em saber que Rubem Fonseca escrevera um novo romance. Apesar da crítica negativa, resolvi comprar o livro. Sou fã incondicional do autor de O cobrador, devo admitir que foi graças a ele que despertei minha paixão pela literatura.

O curto romance de 184 páginas foi publicado pela Agir, que está investindo pesado na divulgação de O Seminarista. A editora comprou o passe de Fonseca e doravante publicará os novos livros do autor, bem como os antigos.

Mas do que se trata essa nova obra do velho Rubão?

O enredo traz à baila a história do narrador-protagonista José, um assassino profissional que presta seus serviços para um homem, cujo nome é Despachante. Os primeiros capítulos funcionam, dum certo modo, como contos, são passagens curtas que poderiam facilmente entrar num livro de narrativas curtas do escritor. Nesses capítulos iniciais, a personagem-central descreve o seu encontro com os fregueses, isto é, com as pessoas que ele vai matar. José atira apenas na cabeça das vítimas, usa sempre pistolas com silenciador e detesta revólveres.

No quinto capítulo, o narrador conduz o leitor à trama principal do romance. José decide aposentar-se, entretanto as coisas não são tão fáceis assim. Sair do mundo dos matadores de aluguel é uma tarefa disso. E são esses obstáculos que o hit man terá que enfrentar antes de poder retirar-se para uma vida pacata.

Poder-se-ia dizer que O Seminarista é uma boa obra, apresenta um escritor que sabe economizar na linguagem e que não se perde em descrições enfadonhas. A história que a partir do capítulo quinto ganha contornos calcados no romance policial tem um final previsível, mas que, no entanto, não prejudica a obra. O destaque vai para o uso do latim (frases de escritores, filósofos et cetera) que o narrador – um ex-seminarista – recorre a todo momento para reforçar certas ações e para auxiliar seus argumentos. Os diálogos também são bons, alguns bastante engraçados. A violência também está presente, há uma descrição detalhada da morte d’algumas personagens.  Outro elemento, é o sexo e a linguagem agressiva que sempre esteve presente em boa parte da obra de Fonseca.

Como eu já ressaltei, é uma boa obra que torna-se digna do Rubem Fonseca do fim da década de 1990 e início da década de 2000. Comparar O Seminarista com os livros dos anos de 1960 e 1970 não faz muito sentido, dado que são momentos diferentes do escritor.

Ainda há nesse recém-publicado romance de Rubem Fonseca os elementos que Alfredo Bosi denominou de “Realismo brutaliza”, porém esses estão atenuados. É melhor lê-lo como um bom romance com elementos policiais.

Por fim, é interessante destacar que a personagem José, já surgiu noutra obra de Fonseca, Ela e outras mulheres (livro de contos publicado em 2006 pela Cia das Letras).

Avaliação: Bom.

One thought on “O Seminarista

  1. “poder-se-ia”, “d’alguma”, “traz à baila” e “a personagem josé” te entregam, meu caro.

    puf puf.

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