O truque dos espelhos: e outras histórias de pequenos artistas

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Por Gabriel Diniz

O Truque dos espelhos: e outras histórias de pequenos artistas é uma das obras em prosa do excelente escritor paulista Plínio Marcos, que faleceu em 1999. O autor ficou conhecido principalmente por ter escrito peças de teatro que marcaram a segunda metade do século XX. Uma delas intitulada de Dois perdidos numa noite suja foi adaptada para o cinema. Navalha na carne e Barrela também ganharam bastante destaque. Apesar de suas obras do gênero dramático serem mais conhecidas, Marcos publicou ótimos livros em prosa, como por exemplo, uma reportagem maldita — o romance ganhou uma adaptação para teatro.

Em O truque dos espelhos: e outras histórias de pequenos artistas, temos dois contos, que segundo o prefácio do livro, são auto-biográficos. No primeiro, “O truque dos espelhos”, a narrativa é pela personagem Frajola — um dos nomes artísticos que Plínio Marcos usou quando trabalhava como palhaço —; ele traz seus fracassos como artista que são vivenciados com Chibah — um mágico — e com o conde Giorgio Gabalis — que se diz um grande ilusionista. Além disso, temos a figura de gorda Lúcia — namorada de Chibah. Nessa primeira história, Chibah e Frajola conhecem o conde Gabalis em Santos. Os três tornam-se amigos rapidamente e começam a suas aventuras juntos. O ilusionista, devido ao seu conhecimento acerca do truque dos espelhos, ganha a simpatia de Chibah, que decide comprar o conhecimento e o equipamento do quimerista. Sendo assim, pede a sua namorada o dinheiro emprestado. Nesse ínterim, o trio arruma problema com os policiais da região.

No segundo conto, Os filhos do vento, Frajola, que também é o narrador-personagem, encontra emprego num circo de ciganos. Nessa a personagem Ricardino, um curandeiro, ganha destaque.

O último conto traz à baila o narrador-personagem Yur, cuja missão é conquistar vinte mulheres durante a passagem do circo por cinquenta cidades.

As três histórias são ótimas. As duas primeiras poderiam ser encaradas como uma novela. A prosa de Marcos é ágil e crua, o autor não se perde em descrições detalhadas; contudo, as personagens são bem construídas. Frajola e seus amigos, todos anti-heróis, vivenciam situações inusitadas, que arrancam boas risadas do leitor. A narrativa também conta com vários palavrões que não ficam deslocados no livro. O destaque fica por conta dos diálogos que são extremamente bem elaborados — o que já era de se esperar, haja vista que Marcos foi um grande dramaturgo.

Vale a pena ler O truque dos espelhos: e outras histórias de pequenos artistas!

Avaliação: ótimo

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