… mirava-o. estava lá, ele a balançar a bunda, dum jeito duro, tal como se tivesse dentro do cu um rodo, um cabo de vassoura − o que é o mais comum em tais casos.
… acendeu o cigarro. ele, novamente, a balançar a bunda, dum jeito engraçado, como se o cu tivesse vida própria, como se a bunda estivesse desconectada do resto do corpo, mas não estava.
… passava com aquela bunda todos os dias no mesmo local. o barulho das pessoas emudecia a bunda que emudecia a mente dele que ficava a mirar a bunda de soslaio. colocava a mão no queixo, não era para ser assim.
… aquela bunda, pensava, não iria desafiá-lo mais. era uma afronta à humanidade. todos os cus do mundo são uma afronta à humanidade. neste exacto momento, por exemplo, há do seu lado um cu lhe afrontando, abrindo e fechando. jamais poderia pensar que chegaria a tal ponto.
… ensaiou diversas vezes.em frente ao espelho. era questão de prática.
… a bunda veio gingando. era agora ou nunca.
… pegou a arma do cu que gingava, do cu pertencente a um policial, era a bunda fardada gingadora, a bunda que desafiava os padrões morais da humanidade, o cu que não sentia remorso em trazer ao mundo e jogar na cara dos homens a verdadeira essência da vida: a merda.
… arma na mão, várias pessoas na rua, tiros para os lados, cus findavam-se naquela tarde de sol, cus assavam no asfalto, já estavam prontos para adubar a terra. o mundo é assim: cus abrindo, fechando, caindo e morrendo.
Originally posted 2010-02-07 01:25:34. Republished by Blog Post Promoter
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Tags: Contos, literatura brasileira



















Gostei muito do seu texto e das metáforas que você usou. Beijão.
Lauro, com todo respeito
Teus últimos textos estão ofuscando a seriedade do site.
Comentei com um professor sobre o site, disse que era bom e que tinha dois textos meus lá. Ele acessou, e viu na capa o “eu, você e o resto do mundo”. Leu o começo e nem olhou o resto do site, disse que parecia lugar de se publicar qualquer coisa.
Lamento, mas concordo com ele. Não achas que teus textos, por serem livres demais, servem mais para um blogue pessoal do que para um site que diz ser “sério” na Literatura e seus segmentos?
Abraço
Caro Jeferson, antes de mais nada aviso que falo neste comentário em meu nome, ou seja, minha opinião aqui não reflete a do resto da equipe. Em relação ao site, não tenho pretensão de que o literatura em foco encaixe-se num conceito “sério” de literatura, conceito esse que é puramente relativo, uma vez que tal conceito varia ao longo do tempo. O pensamento acerca da literatura no século XIX era o mesmo daquele aduzido nos seicentos? Creio que não. Em suma, o que você considera literatura “séria” diverge-se do que eu penso.
Agradeço pelos comentários!