Um belo vilancête composto por Júlio Dantas

 

Por Júlio Dantas | Comentários de Laís Azevedo

Como quereis que me ria,
Corpo de ouro, se vos digo
Que trago a morte comigo?

Vir um dia a apodrecer,
Se é destino de quem vive,
Outro destino não tive
Desde a hora de nascer:
Como não hei-de sofrer,
Corpo de ouro, se vos digo
Que trago a morte comigo?

Na dor de todo o momento
Meus tristes dias se vão,
E só tenho a podridão
Em paga do sofrimento:
Sombra de contentamento,
Como a terei, se vos digo
Que trago a morte comigo?

Comentários:

Belo poema de Júlio Dantas, autor português, cuja influência literária deu-se, mormente, pelos ditames românticos e parnasianistas.

No poema explicitado acima, o escritor lançou mão duma forma criada durante o período renacentista, o vilancête. A estrutura desse consiste, basilarmente, em abrir o poema com um terceto, cuja função é propor um mote. Depois que esse é trazido à tona, o poeta desenvolve o assunto do poema no decorrer da estrofe subsequente. Contudo, no verso final, para conseguir-se um vilancête perfeito, faz-se necessário que o escritor retome o verso inicial contido na primeira estrofe do terceto.

One thought on “Um belo vilancête composto por Júlio Dantas

  • December 7, 2011 at 10:16 am
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    Estou adorando isto aqui.

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