A violência sempre foi um dos temas que mais ganhou destaque em toda a história da literatura brasileira. Poder-se-ia dizer que desde as obras românticas feitas por José de Alencar, tais como: Iracema, já temos a presença do aludido tema. Todavia, foi com o movimento realista-naturalista que a violência tornou-se mais explicita. Basta lembrar as obras naturalistas que tocaram na ferida de modo contundente.
No século XX as narrativas violentas continuaram sendo trazidas à tona. Entretanto, nas décadas de 1960 e 1970, graças a linguagem crua de Rubem Fonseca, João Antônio, Wander Pirolli, dentre outros, a violência tornou-se bastante explicita nos textos literários. Essa fase é chamada, por Alfredo Bosi, de “realismo brutalista”. Esse “real” produzido nos anos de 1970 ganhou adeptos durante todos as décadas seguinte. Não seria errôneo apontar a influência de Fonseca nos escritores que produzem uma literatura nos dias de hoje pautada pelo realismo. Newton Cannito é um desses escritores. Em seu livro Novos monstros: Histórias do mundo atual, publicado pela Geração Editorial, ele traz 18 contos onde a violência tem um papel de destaque. O autor já escreveu roteiros de sucesso tais como: Vale ou é por quilo?, Cidade dos Homens e a série 9mm.
Novos monstros foi uma grata surpresa, pois devo confessar que, num primeiro momento, não me empolguei com a obra, em outras palavras, eu estava julgando o livro pela capa. Porém, essa ideia mudou quando abri a primeira página, pois logo de cara encontrei um índice interessante. Tal como em pequenas notas de jornal, o índice traz uma ideia geral sobre a temática do conto. Esse recurso não deixa de lembrar também os romances do século XVIII, tal como Tom Jones, que na abertura de cada capítulo traz uma breve ideia do que será desenvolvido. A relação com as notícias de jornal não param por aí. Cannito aproveita fatos desencadeados nessa década para produzir suas narrativas. Assim, temos, por exemplo, um conto que mostra a vida de dois indíviduos no dia dos violentos ataques duma violenta facção criminosa à cidade de São Paulo. Em outras narrativas, há um pai que tenta convencer a esposa a dar uma arma para o filho de oito anos. Vemos também em “O doutor não merecia”, um funcionário dum político corrupto justificando os atos de seu patrão. Num outro texto, Cannito flerta com Voltaire, pois traz uma personagem, que se diz um Alien, esse ataca os comportamentos da humanidade.
As narrativas curtas de Cannito lidam bem com as diferentes vozes e mostra com todo vigor a linguagem seca e crua, elementos esses cruciais na prosa realista contemporânea.
Newton Cannito foi uma grande supresa, espero poder acompanhar outros trabalhos desse autor.
Leitura recomendadíssima!
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