“Ilusões Perdidas” é o segundo romance balzaquiano que compõe a trilogia informal da “Comédia Humana” formada por: “O pai Goriot” e “O mistério e o esplendor das cortesãs”. Essa tríade é considerada por grande parte dos críticos a melhor realização de Honoré de Balzac. Foi em “Pai Goriot”, por exemplo, que Balzac começou a mesclar personagens doutras obras de sua “Comédia”. Essa aparição de personagens, ora como protagonistas, ora como coadjuvantes foi responsável pela grandiosidade e pela inovação de Balzac no tocante ao romance moderno.
Pois bem, mas o que torna “Ilusões perdidas” tal sensacional? O romance que possui, pelo menos na edição da editora Estação Liberdade, mais de 700 páginas, na verdade é formado por três narrativas, que logicamente estão interligadas. A primeira parte intitulada de “Dois poetas” apresenta as personagens que desempenharam um papel de destaque no romance. A principal delas é Lucien, um belo rapaz que sonha em alcançar sucesso com seus poemas e sua em prosa, esse último um romance histórico à Walter Scott.
Outra personagens de destaque é a dedicada irmã do jovem poeta, Ève e David Sechard, filho dum tipógrafo avarento. Nesse primeiro momento do romance, o enredo traz à tona o sucesso de Lucien em sua província mediante aos nobres da cidade. Fama essa que desperta também um número sem igual de inimizades. Entretanto, graças ao seus versos, o jovem conhece a Senhora de Bargeton, uma mulher que parte com ele para Paris. É na capital francesa que o Lucien tenta prosperar como poeta, porém ele nota que sem uma boa roupa, influência e dinheiro ele não pode chegar muito longe. Por isso, o rapaz, ao chegar à cidade, vê-se diante de dois caminhos: um atalho que o levará à realização dos seus intentos e um outro mais longo que é mais correto, moral e aceitável.
A terceira parte da obra, por seu turno, está focada na volta de Lucien à província. Nessa o autor também deve escolher entre a virtude e o vício.
Os recursos narrativos que Balzac emprega em “Ilusões perdidas” são fantásticos. O autor manipula o tempo como ninguém, vale-se de flashbacks que despertam suspense e conseguem prender o leitor. O escritor francês lança mão também de vários discursos, há por exemplo, poemas, cartas, explicações sobre as leis do comércio inseridas na narrativa. Pode-se dizer que Balzac fez jus ao chamado plurilinguismo que é, sem dúvida, uma das marcas primordiais do gênero romance.
Outro ponto de destaque é, como já foi dito, a aparição de doutras personagens da “Comédia Humana”. Vemos Rastignac, protagonista de O pai Goriot, desfilando por Paris como um dos mais importantes dândis da cidade. Há também a volta de Vautrin que é uma das personagens mais bem elaboradas do escritor francês.
Não poderia deixar de lado as críticas ferrenhas ao modo de como a mídia, na época somente os jornais, era conduzida e como as observações das personagens e do narrador balzaquiano continuam atuais depois de dois séculos. O jornalismo consegue elevar, por exemplo, um escritor ao patamar máximo, como consegue também destruí-lo. Fora do campo da poética, Balzac mostra o quão poderoso é o chamado “quarto poder”. Esse tem uma influência crucial no destino de todas as personagens.
Se você não leu nada de Balzac começar por “Ilusões perdidas” pode ser uma boa. Contudo, recomendo, primeiramente, a leitura de “O pai Goriot”. É possível traçar um paralelo entre as duas personagens provincianas, Rastignac e Lucien, que tentam alcançar a notoriedade em Paris.
Vale lembrar que o tema dum jovem cheio de ilusões que cai numa selva foi explorado também no Brasil. O romance “Casa de Pensão” é um bom exemplo disso. Do mesmo modo que as obras contemporâneas produzidas pelo escritor Luiz Ruffato.
Originally posted 2010-04-13 02:56:50. Republished by Blog Post Promoter
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Tags: comédia humana, literatura francesa, romances, século XIX

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Qual comparação pode ser feita entre as trajetórias dos personagens David e Lucien relacionando-os à perspectiva cartesiana?
se puder mandar a resposta por e-mail:jeanjms@globo.com
Não realizei a leitura levando em consideração essa perspectiva. Todavia, posso tentar elaborar alguma coisa. De todo modo, fiquei curioso, a pergunta é para alguma disciplina de faculdade ligada à Literatura Francesa?