Parnasianismo e Simbolismo – Aspectos Gerais – um breve estudo

Laís Azevedo

Parnasianismo e Simbolismo – aspectos gerais

Procurarei, neste breve texto, trazer à tona algumas características que, dum certo modo, permeiam boa parte dos poemas inseridos no movimento Parnasianista e Simbolista. Espero que o texto possa ajudar àqueles que buscam interpretar os poemas das aludidas escolas.

O culto à fôrma e a forma

O nome “Parnasianismo” foi o título duma coletânea de 37 poetas franceses que buscavam o culto à forma. Dentre esses, destacam-se também poetas tais como: Baudelaire, Verlaine, bem como outros, que figurariam outrossim como destaque da chamada poesia decadente, isto é, da poesia simbolista.

No Brasil, a poesia parnasianista contou com uma produção extensa que, posteriormente, foi alvo de desprezo pelos poetas modernistas que buscavam combater os ideais propostos pelos poetas que cultuavam a forma. Manuel Bandeira, por exemplo, fez versos ironizando a escola, mas cabe lembrar que o mesmo também participou do movimento; fato esse que pode ser conferido em suas duas primeiras obras.

Os principais poetas parnasianos foram: Alberto de Oliveira, Olavo Bilac, Francisca Júlia da Silva, Raimundo Correia etc. Poder-se-ia dizer que Bilac foi, sem dúvidas, o que obteve maior destaque, seu nome é certo em diversos manuais de história literária.

Agora, trago à baila algumas características cruciais do supradito movimento. Ei-las:

- Exclusão da sentimentalidade romântica. Porém, como frisa Afrânio Coutinho (1986, p. 145), em sua História da Literatura, isso não impediu que os poetas parnasianos se reportassem a sentimentos e estados subjetivos.

- Ataques veementes aos poemas românticos, uma vez que esses primavam pela subjetividade em detrimento da objetividade e clareza de linguagem, elementos esses que eram de suma importância no movimento Parnasiano.

- Uso do verso alexandrino do tipo francês, isto é, um versos compostos por doze sílabas poéticas.

- Abandono, quase que por completo, do verso branco, ou seja, versos que não rimam.

- Preocupação com a rima rica, isto é, os parnasianos buscavam rimar palavras com classes gramaticais distintas como, por exemplo, verbo com substantivo, adjetivo com advérbio etc.

- Busca por ideais poéticos desenvolvidos na poesia greco-romana clássica.

- Apego às formas fixas, grande parte dessas oriundas da antiguidade. Poder-se-ia dizer que o soneto foi uma das formas mais utilizadas.

- Uso da ordem indirecta, isto é, o sujeito geralmente é colocado no final da frase. Herança essa do latim, posto que era muito comum ao escrever e versejar nessa língua valer-se de tal recurso.

Culto às sensações


Enquanto no Brasil nossos prosadores e poetas cantavam as peripécias de Peri e Juca Pirama, na França, durante a década de 1850, Baudelaire despontava com o seu famoso As flores do mal. Verlaine, Mallarmé e outros poetas também abraçaram essa vertente, que possuí algumas características do romantismo, tais como a força da subjetividade. Elemento esse que foi, de certa maneira, deixado de lado, como já dissemos, na poesia dos parnasianos.

No Brasil, o Simbolismo ganhou adeptos somente nos anos de 1890. Segundo os críticos, a primeira obra que surgiu com tais características foi Broqueis, de Cruz e Souza. Publicada em 1893, a obra foi mal recepcionada pela crítica. Segundo Ivan Teixeira, no prefácio a uma edição que comemora os 100 anos do mencionado livro, José Veríssimo e Araripe Júnior não conseguiram apreciar o trabalho do poeta. Sílvio Romero, por seu turno, não compartilhou da opinião desses, para ele, Cruz e Souza foi o “rei da poesia sugestiva” (TEIXEIRA, 1993, p. 11). Entretanto, foi graças a Nestor Vítor, crítico que também escrevia prosa e versos, que Cruz e Souza começou a ter seu valor como poeta reconhecido. Vítor preparou uma obra póstuma em 1924, que contava com um ensaio critico-biográfico.

Mas não foi somente Cruz e Souza que produziu poemas de cunho simbolista no Brasil. Alphonsus de Guimaraens, poeta mineiro, foi um dos maiores nomes do movimento. Chego a afirmar que ele em vários aspectos superou Cruz e Souza. Ressalto também outros poetas como: Maranhão Sobrinho, Da Costa e Silva etc.

Como fiz anteriormente, falarei, agora, dalgumas característica que foram primordiais no movimento Simbolista.

- Subjectivismo: os poetas simbolistas, geralmente, tentavam expressar os diferentes estados da alma, voltavam-se inteiramente para si mesmos no intuito perscrutarem seus espíritos, isto é, tem-se nos poemas uma busca pela espiritualidade.

- Uso da sinestesia: no simbolismo a procura pelas sensações é um dos fatores basilares do movimento. A sinestesia consiste em modificar a percepção dos sentidos. Em outras palavras, usa-se um sentido para captar uma sensação para a qual ele não foi destinado. Enfim, percebe-se a qualidade duma matéria por meio da alteração de sentidos. Assim, os poetas geralmente lançam mão de efeitos sinestésicos como: o som de um odor, o perfume de um pensamento, o sabor de um toque etc.

- Uso da teoria das correspondências: os perfumes, as folhas e os sons por meio de efeitos sinestésicos correspondem-se. Essa ligação busca levar o indivíduo ao êxtase, o mundo platônico, isto é, o mundo das ideias pode ser alcançado através dessa correspondência entre os sentidos.

- Uso de aliterações, assonâncias, anáforas e do chamado verso harmônico: o diálogo com a música é frequente nas poesias simbolistas. Essa busca pelo musical se dá pelo uso das aliterações (reprodução de sons consonantais iguais), assonâncias (repetição  da mesma vogal em um verso, um conjunto de versos ou ao longo do poema) e pelo emprego da anáfora (repetição de uma mesma palavra no decorrer dos versos). Ademais, há também o uso do verso harmônico que consiste em um processo de justaposição cumulativa. Isto é, o sentido do primeiro verso soa isoladamente, para, depois, associar-se ao sentido do segundo e fundir com as unidades seguintes, formadas pelos dos últimos. Seria, nas palavras de Teixeira (1993, p. 14) como um acorde musical harpejado.

- Sugestão e imprecisão: nos poemas simbolistas esses dois elementos são recorrentes. É por isso que nunca pode-se afirmar, de facto, qual é o verdadeiro sentido dum verso, uma vez que esses pautam-se, mormente, por essas sugestões que são alcançadas por meio do uso de reticências, pontos de interrogações etc. Afora isso, há o recursos estilístico da ausência de verbo; encontra-se, assim, versos inteiramente nominais que ajudam a criar o verso harmônico e a introjectar nos versos a ideia de sugestão, imprecisão.

- Uso de letras maiúsculas: O uso de letras maiúsculas que geralmente não são empregados na escrita tradicional. Desse modo, vemos palavras como  Morte, Saudade, Amor, todas com a primeira letra em caixa-alta. Esse recurso dá uma ideia de abstração.

- Ausência de verbos em versos: muitos versos.

Distantes?

Os dois movimentos brevemente estudados aqui conviveram durante o mesmo período, é possível, desse modo, encontrar elementos parnasianos, por exemplo, na obra de Cruz e Souza. Elementos simbolistas também aparecem na poesia modernista de Mário de Andrade. Isso mostra que a linha que separa os chamados movimentos literários é assaz tênue.

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