“A fábula” – música e literatura! – Por Laís Azevedo

42bd9207dba0e79bdde093230a0d261aContinuando nossas reflexões sobre literatura e música, trago-vos a canção “A fábula” da banda da década de 1980 Engenheiros do Hawaii.

“A fábula” é uma versão da música “The logical song” da banda Supertramp. Conseguimos uma versão acústica da canção no Youtube. Ei-la:

A Fábula

Era uma vez um planeta mecânico
Lógico, onde ninguém tinha dúvidas
Havia nome pra tudo e para tudo uma explicação
Até o pôr-do-sol sobre o mar era uma gráfico

Adivinhar o futuro não era coisa de mágico
Era um hábito burocrático, sempre igual
Explicar emoções não era coisa ridícula
Havia críticos e métodos práticos

Cá pra nós, tudo era muito chato
Era tudo tão sensato, difícil de agüentar
Todos nós sabíamos decor
Como tudo começou e como iria terminar

Mas de uma hora pra outra
Tudo que era tão sólido desabou, no final de um século
Raios de sol na madrugada de um sábado radical
Foi a pá de cal, tão legal

Não sei mais de onde foi que eu vim
Por que é que estou aqui
E para onde devo ir
Cá pra nós, é bem melhor assim
Desconhecer o início e ignorar o fim
Da fábula

A letra composta por Humberto Gessinger faz uma boa relação com o século XIX. Basta lembrar que no período oitocentista, as ciências humanas – influenciadas pelas ciências naturais – ganharam uma força tremenda Bom, e o que isso tem a ver com a Literatura? Muita coisa! Escritores como Émile Zola na França, Eça de Queirós em Portugal e Aluísio Azevedo no Brasil, produziram uma literatura calcada nos moldes científicos; o movimento fundado por Zola ficou conhecido como Naturalismo.

Tal como na música de Gessinger, os autores naturalistas, com base nas teorias científicas da época, tentaram  incorporar em suas obras a realidade por meio dum olhar mecânico, lógico, onde ninguém tinha dúvidas, onde havia nome pra tudo e para tudo uma explicação, até o pôr-do-sol sobre o mar era um gráfico. Porém, como o mundo mecânico elecando pelo compositor do Engenheiros do Hawaii, a literatura naturalista, bem como grande parte das teorias que serviam de base para escrevê-la também ficaram para trás. Certos críticos consideram os romances naturalistas como datados, inferiores àqueles ditos “realistas”. Considero isso um equívoco, haja vista que a escola naturalista produziu obras de excelente qualidade e força, que ainda continuam influenciado os autores contemporâneos. Um belo exemplo disso é a obra “Mad Maria” de Márcio Souza, que contém fortes traços da violência do movimento Naturalista.

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