Em “Os sonhos não envelhecem” (Ed. Geração Editorial, 1996) Márcio Borges narra a trajetória de sua vida, como pessoa e como artista, do Clube da Esquina e seus associados e de muitos outros artistas com os quais conviveu. Narra a história da música mineira das décadas de 60 e 70 (principalmente 70) e de artistas tais como Toninho Horta,Naná Vasconcelos, Lô Borges (seu irmão), Beto Guedes, Fernando Brant,Wagner Tiso, Ronaldo Bastos e tantos outros mais. Mas Borges tem a história de Milton Nascimento como carro guia da narrativa. Além disso em meio a ditadura teve uma vida bastante agitada se relacionando direta ou indiretamente com os acontecimentos.
A narrativa acontece em primeira pessoa e Márcio Borges começa com sua juventude quando conhece Bituca, Milton Nascimento, e é inserido no universo da música, embora já tivesse contato através do seu irmão mais velho, Marilton, também músico. Muitas vezes o autor ao invés de narrar, compõe, com descrições poéticas que geralmente destoam do restante do texto.
As descrições por vezes deixam a desejar por falta de contextualização. Como siglas e acontecimentos não explicados ou não evidenciados cronologicamente. Ele se exime dessa culpa ao dizer no início que ele escreve para ele e os seus. Realmente seus amigos e geração estão mais aptos a compreender as referências e acontecimentos mais do que qualquer outro leitor.
A história de Marcio Borges é comovente. Ele vivencia bem de perto a história e a arte da época da repressão e passa isso bem ao leitor. Parte da história se passa nas ruas de Belo Horizonte e para os moradores da cidade ler o livro descreve a história da cidade onde vivem. E narra a concepção muitas das musicas mais famosas do Clube da Esquina e de Milton Nascimento.
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