A besta humana – Émile Zola – Por Laís Azevedo

 

9782253005575-gNeste livro, Zola mergulha de cabeça em sua fascinação pela “besta humana”, examinando as características psicológicas dos homicidas num enredo em que ele também apresenta um detalhado retrato dos trabalhadores de uma ferrovia francesa do século XIX.

A personagem principal é Jacques Lantier, filho de Gervaise Macquart (personagem da obra “L’Assomoir”), um engenheiro ferroviário que trabalha numa linha situada entre Paris e La Havre.  Ele sente uma estranha compulsão, que consiste em matar todas as mulheres que o atraem. Felizmente, antes de chegar nesse ponto, o engenheiro consegue controlar-se; no entanto, quem sabe quanto tempo ele poderá domar esse instinto assassino?

Lantier não é a única personagem com a ideia de ceifar vidas em mente. Na verdade, todos no livro parecem planejar matar alguém. Matar por amor, matar por orgulho, por vingança et cetera, várias motivações para o crime de homicídio saltam aos olhos do leitor. É interessante salientar que Zola colocou tanta violência e suspense no enredo, que poder-se-ia dizer, mesmo correndo o risco de ser anacrônico, que “A besta humana” é uma excelente história no melhor estilo “pulp fiction” .

Afora o tema do assassínio, estão presentes na obra:  um documento social, uma investigação científica e um debate filosófico. O escritor francês explicita como a tecnologia industrial contribui para a degeneração moral e a desumanização da sociedade.

Vale ressaltar também  que embora o livro extrapole os limites do “realismo”, ele é fascinante no tocante ao estudo da natureza humana.

Émile Zola é considerado fundador do naturalismo, ler suas obras é fundamental,  dado que são clássicos da literatura. “A besta humana” é um desses que merece ser lido por aqueles que amam romances de qualidade. Infelizmente, como a maioria dos romances de Zola, o livro está esgotado, sua última publicação se deu pela Ediouro. Todavia, é fácil de encontrar um exemplar nos sebos!

Boa leitura!

5 thoughts on “A besta humana – Émile Zola – Por Laís Azevedo

  • August 12, 2010 at 1:34 am
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    Obrigado pela indicação, Denise. Você sabe se há um projeto, por parte de alguma editora, de lançar novamente as obras de Émile Zola?

    Abraços!

  • September 18, 2010 at 6:15 pm
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    Gostei muito da breve análise do livro. Ainda não tive oportunidade de lê-lo, porém gostaria muito. Em relação à venda, existem feiras de livros em universidades, principalmente na área de humanas, em que se podem encontrá-los por preços muito bons. Um exemplo é a FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) da Universidade de São Paulo. Apesar de os livros serem usados, os custos saem muito em conta e há uma variedade imensa de obras raras.

    Obrigado,

    Eduardo.

  • September 18, 2010 at 7:05 pm
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    Eduardo, primeiramente, obrigado pela visita e pelo comentário. Valiosa sua informação, uma vez que nem sempre acho clássicos que foram editados há muito tempo nos sebos. E, às vezes, quando encontramos, os livreiros costumam a cobrar preços absurdos.

  • March 14, 2011 at 1:07 am
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    O trem tb representar a besta humana. Estou contente por haver encontrado comentários sobre alguns livros de Émile Zola. Creio que tenho 18 ou 19 da série Rougon-Macquart e estou lendo Dr. Pascal… ainda não me interessei tanto por Joie de Vivre e Dream of Love (algo assim… é que minha coleção é em 2 ou 3 idiomas, conforme eu conseguia os livros). Eu nem sabia que Doutor Pascal foi traduzido para o português e que agradável surpresa! Na época em que comecei a ler a série, nada (comentários, artigos) se encontrava que não em francês e inglês. Valeria a pena vc comentar o parentesco entre principais personagens dos livros que vc menciona no blog, a saber:

    Gervaise, de L’Assommoir/A Taberna é:
    - mãe de Jacques Lantier, de A Besta Humana
    - irmã de Lisa Macquart, Le Ventre de Paris/O Ventre de Paris
    - irmã de Jean Macquart, de La Debâcle/A Derrota
    obs. – para Jean Macquart Zola dedicou 2 livros, sendo o primeiro La Terre/A Terra.

    Para a filha de Gervaise, Ana Maria, a pequena Nana, foi dedicado um livro de mesmo título, Nana. Para outro filho, Étienne Lantier, foi dedicado Germinal, e para Claude Lantier, o mais velho de todos, foi dedicado L’Oeuvre/Obra Prima romance que causou o rompimento da longa e grande amizade entre Émile Zola e o grande pintor Paul Cèzanne.

    O lavrador Jean Macquart (em A Terra e soldado em A Derrota), Gervaise Macquart e Lisa Macquart são filhos de Antoine Macquart, alcoólatra de péssimo caráter. A mãe de Antoine (e avó dos três filhos dele) é Tante Dide (Adelaide Fouque), que teve o filho Pierre Rougon do primeiro e falecido marido jardineiro, Sr. Rougon; e depois teve Úrsula e Antoine do amante lavrador dado à bebida, Sr. Macquart. Em Dr. Pascal alguns dos nomes aqui citados são pessoas já falecidas.

    Há um livro para cada filho/a da Tante Dide; há livro para cada neto/a da Tante Dide; livro para netos/as da Tante Dide, e até livro pra bisneto/a da Tante Dide e por isso o total de 20 livros… Tante Dide morreu aos 104 ou 105 anos (1873 ou 74)… me sinto como que tendo convivido com essa gente toda dos 20 romances… chego a sentir saudades de uma e outra personagem.. vdz ou outra bate a nostalgia! A título de curiosidade:

    1. Jacques e Denise, filhos de Émile Zola, são nomes de personagens em A Besta Humana e em Paraíso de Mulheres.

    2. L’Assommoir é um filme em preto e branco, com Maria Schell no papel de Gervaise, e vc poderá conseguir o DVD via e-bay, da Tailândia… o filme é em francês com legenda em chinês… mas pra quem leu o livro dá pra acompanhar bem sem mesmo entender muito bem francês e nem saber chinês pq as cenas são tais e quais descritas por Zola.

    3. A neta de Jacques Zola é médica em Paris e deixou a profissão para dedicar-se ao legado do bisavô. E o motivo de Émile Zola, nascido em 1840, há 171 anos ter uma bisneta com apenas 60 anos, quiça pouco mais, foi porque ele foi pai já adentrado nos 40 anos.

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