Novela erótica/pornográfica – A aprendiz da arte – Capítulo I

Joaquim Neto Ferreira

O APRENDIZ DA ARTE.

É uma novela pornográfica baseada na obra de Marquês de Sade e a Condessa V. de Alice Dias. É a segunda novela pornográfica do autor piauiense Joaquim Neto Ferreira, considerado pela crítica literária como um dos maiores escritores de literatura erótica/pornográfica do Brasil. Sua obra representa para a filmografia pornográfica brasileira uma fonte de roteiro e inspiração cinematográfica.

O Aprendiz da Arte é uma das obras mais discriminadas e recriminadas dos últimos tempos e até excomungada pela cristandade depois do Código da
Vinci
, de Dan Brown. Considerada com “uma obra demoníaca e pervertida pela igreja e quem a ler é do caminho do mal e para lá é seu destino”. Revista Sexpink, ano  I,  2010 pág. 23/25. Editora Pornô /Brasil- São Paulo.

ATENÇÃO AOS LEITORES:

É uma obra de ficção literária erótica e explicita, qualquer semelhança com acontecimentos, nomes, lugares e pessoas vivas ou mortas será mera coincidência e não apresenta as convicções ou crenças por parte do autor.

É expressamente proibida a menores de 18 anos a sua leitura de acordo com as leis brasileiras.

A obra que está em vias de se entregar ao público do “Literatura em Foco” chocará, sem dúvida, aos leitores menos avisados. A crueldade das cenas, do deboche e a violência, os ataques a todos os princípios da moral religiosa consagrada abalam mesmo ao espírito mais habituado a leitura forte e chocante.

A depravada orgia da imaginação do famigerado e lendário Marquês de Sade é tamanha que ninguém o superou até agora e sua obra é, ainda hoje, o melhor documento dos desvarios a que pode atingir a mente humana.

Para os leitores do Literatura em Foco, a presente obra valerá como um texto para estudo. Aí está nossa justificação, ao publicá-lo. Para os leitores menores de 18 anos é expressamente proibida sua leitura e mesmo para os inexperientes, jamais será perniciosa.

O espírito é repelirá sua brutal pornografia e sua álgida libidinagem. Quem dispuser de um sólido patrimônio moral repudiará, automaticamente, as elucubrações extravagantes e infantis do autor e, certamente, robustecerá suas crenças e seus princípios ante a insanidade de seus cínicos argumentos. Aliás, para invocar ainda uma verdade consagrada: é preciso conhecer o mal para saber evitá-lo.

CAPÍTULO I

A estória de Ariane.

A estória de Ariane é a mesma estória de varias jovens voluptuosos de todas as idades e de todos os sexos; nessa novela alimentai-vos de seus princípios que favorecem vossas paixões; essas paixões que horrorizam os frios e tolos moralistas, são apenas os meios que a natureza emprega para submeter os homens aos fins que se propõe.

Não resistais a essas paixões deliciosas: seus órgãos sexuais são os únicos que vos devem conduzir à felicidade. Mulheres lúbricas, casadas, solteiras separadas, amasiada, que a voluptuosa Marcela seja vosso modelo; segui seu exemplo, desprezando tudo quanto contraria as leis divinas do prazer, que dominaram toda sua vida.

Jovens, há tanto tempo abafadas pelos liames absurdos e perigosos duma virtude fantástica, duma religião nojenta, imitai a ardente Ariane; destruí, desprezai, com tanta rapidez quanto ela, todos os preceitos ridículos inculcados por pais imbecis.

E vós, amáveis devassos, vós que desde a juventude não tendes outros freios senão vossos desejos, outras leis senão os vossos caprichos, que o cínico Black William vos sirva de exemplo.

Ide tão longe quanto ele, se como ele deseja percorrer todas as estradas floridas que a lubricidade vos prepara; convencei-vos, imitando-o, de que só alargando a esfera de seus gostos e suas fantasias, e, sacrificando tudo a volúpia, o infeliz indivíduo, conhecido sob o nome de homem e atirado a contragosto neste triste universo, pode conseguir entremear de rosas os espinhos da vida.

Ariane é uma jovem cheia de tanta inspiração e tanta vida que suas entranhas eram nervos convulsivos que inflamavam e ardia sem o prazer do sexo e duramente privada pelas imposições de sua família tradicional do interior.

O que restava para uma jovem que estudou quase toda a vida num colégio tradicional de freiras?

Certo dia uma sombra esvaecida, uma triste mulher madura chamada Marcela a conheceu na biblioteca da faculdade que a moça estudava e que a partir do momento adotou como uma filha…

Restava um jovem aprender a arte!Nem saudade levaria da vida pura onde arquejou de fome… Uma fome de sexo sem um leito para deleitar-se do prazer do sexo!

Durante um final de semana em que reina a treva e solidão! Marcela foi para Ariane um  sol; numa noite sem ter a aurora da vida e a eternidade o prazer ser lançada na larga fronte da escrita da sacanagem. . .

Assim começa a novela: O Aprendiz da Arte.

Marcela – Boa noite meu irmão; Black William não vem?

Marcos – Ele chegará as nove em ponto. Como jantamos somente as sete, teremos muito tempo para conversar.

Marcela – Um momento Marcos, uma ligação no celular. É o Jefferson meu esposo dizendo que não poderá passar este final de semana em casa.

___Você é muito descuidado, querido! Por que não ligou cedo. Tchau! Cuida-se!
Beijos!

Marcela – Sabe Marcos que me arrependo um pouco da curiosidade e dos planos obscenos que faremos hoje?

Justo quando eu deveria ser bem comportada é que me aquece a imaginação, e mais safada me torno: como meu esposo perdoa tudo, fico cada vez mais mimada… Você bem sabe que aquele velho safado desconfia que somos amantes?  Não sabe?

___ Aos trinta e oito anos, sou a melhor beata da igreja,mas não passo da mais devassa de todas as mulheres… Não se pode ter uma idéia de tudo. Quanto imagino de tudo quanto quisera fazer na cama; acreditava que imitando as mulheres religiosas, conseguiria tranqüilidade; que meus desejos, uma vez concentrados no sexo, não transbordaria sobre o seu.

____Quiméricos planos, meu irmão, os prazeres que meu marido desejava me privar pareceram-me ainda mais tentadores e me apercebi de que, quando se nasce para a sacanagem, é inútil querer dominar-se: os fogosos desejos irrompem com mais força.

Enfim, querido mano, sou uma cadela no cio: gosto de tudo, tudo me diverte; quero conhecer todos os gêneros da sexualidade; confesso que é uma extravagância completa de minha parte querer conhecer esse singular e misterioso Black William.

Como diz você, nunca possuiu as mulheres como o costume o prescreve para os homens, que é homossexual por princípio, idolatra o próprio sexo e só se rende ao nosso sob a cláusula especial de lhe oferecermos os encantos que estão acostumados a encontrar entre os homens. O voyeurismo e o ménage a trois.

Veja meu irmão, que bizarra fantasia ele tem!

Quero ser o mais novo anel desse homem Júpiter, quero gozar de seus gostos, de seus deboches, quero ser a vítima dos seus erros. Saiba que, até agora, dessa maneira só a você me entreguei, por prazer, ou a certo empregado que, pago para me possuir desse modo, só o fazia por interesse.

Hoje, não é mais por complacência nem por capricho, mas sim por puro gosto… Pela sacanagem que Epicuro defendia.

Creio que haverá uma notável diferença entre as duas experiências e quero conhecê-la. Descreva-me bem Black William, afim de que o tenha na idéia antes que ele chegue; sabe que o conheço apenas por tê-lo visto durante alguns minutos numa festa onde estivemos no mês passado numa boate da zona leste.

Marcos – Black William acaba de completar trinta e nove anos; é alto, lindo aspecto, olhos castanhos escuros vivos e espirituosos; mas algo de dureza e de maldade transparece nos seus traços vilipendiosos.

Tem dentes lindíssimos; certo dengue no mover a cintura e no andar, certamente pelo hábito de imitar as mulheres. É elegantíssimo, tem voz agradável, várias habilidades e, sobretudo espírito filosófico.

Marcela – Bem, espero que ele não acredite em Deus…

Marcos – Que idéia! É o mais célebre ateu, o homem mais imoral, a corrupção mais completa e integral, o mais celerado dos indivíduos que possam existir.

Marcela – Como tudo isso me excita! Vou adorar esse seu jovem amigo. Quais os seus gostos?

Marcos – Você bem sabe: as delícias de Sodoma e Gomorra, tanto passivas como ativas, são-lhe sempre agradáveis. Prefere os homens, e se consentir em se divertir com mulheres é sob a seguinte condição:

Trocar de sexo com ele, prestando-se a todas as inversões. Falei-lhe de você, eu o preveni de suas intenções; aceita as suas propostas, mas, por sua vez, avisa-a das suas condições.

Você não obterá nada dele se pretender induzí-lo a outra coisa. “O que consinto em fazer com sua irmã”, diz ele, “é uma extravagância… Uma brincadeira que me repugna e à qual só me entrego raramente e tomando muitas precauções”.

Marcela – Repugnância… Precauções… Que interessante a linguagem desse moço amável!

Nós, as mulheres têm também palavras como estas, particularíssimas, que provam o profundo horror que nos domina por tudo quanto não se refira ao culto de nossa devoção…

Diga-me, meu caro irmão, ele já o possuiu? Com seu lindo corpo e seus dezoito anos pode, creio cativar um homem como esse!

Marcos – Creio que posso revelar as extravagâncias que juntos praticamos: você tem suficiente espírito para não os censurar. Geralmente amo e prefiro as mulheres; entrego-me a este gozo bizarro apenas quando tentado por um homem excepcionalmente encantador.

Nesse caso nada há que eu não faça. Não estou absolutamente de acordo com a ridícula pretensão dos nossos rapazolas que respondem com bengaladas a semelhantes propostas.

___O homem é senhor de suas próprias inclinações?

Não devemos jamais insultar os diferentes, mas lamentá-los; os seus defeitos são defeitos da natureza. Eles não são culpados de ter nascido com gostos diferentes, assim como ninguém tem culpa de ser coxo ou bem feito de corpo.

Aliás, quando um homem confessa que nos deseja, diz-nos, por acaso, uma coisa desagradável?

Evidentemente que não; é um cumprimento que ele nos faz; para que, pois, responder com injúrias ou insultos?

Só os imbecis pensam assim, nunca um homem razoável dirá coisa semelhante. Isto acontece porque o mundo está povoado por idiotas que se julgam ofendido quando a gente os considera aptos para o prazer e que, mimados pelas mulheres, sempre ciumentas de seus direitos, imaginam ser dom Juan desses falsos privilégios, brutalizando aqueles que não os reconhecem.

Marcela – Beije-me, meu caro irmão. Eu não o reconheceria como meu irmão se você pensasse de outra maneira. Dê-me, entretanto, mais informações sobre o aspecto desse jovem e sobre os prazeres que juntos gozaram.

Marcos – Black William tinha sido informado por um dos meus amigos do soberbo membro que possuo, e fez com que o Vitor nos convidasse a fazer um trabalho da faculdade.

Uma vez no apartamento da Avenida Lord Byron do edifício Bluewood tive que exibi-lo; pensei, a princípio, que fosse apenas curiosidade, mas em breve percebi que era outro o motivo quando Black William voltou-me todo nu e com um lindo cu oferecendo, pedindo-me que gozasse dele.

Eu o preveni das dificuldades da tendência sexual. Ele nada temia. “Posso suportar duas picas no cu”, disse-me, “e não tenha você à pretensão de ser o mais temível dos homens que o penetraram”. O Vitor estava presente e nos estimulava, acariciando, apertando e beijando tudo que nós puxávamos para fora.

Ponho-me a prepará-lo enquanto apresento a arma… Mas o Vitor me avisava: “Nada disso, você tiraria metade do prazer que Black William espera; ele quer uma violenta estocada, quer que o rasguem”. Pois será satisfeito, exclamei, mergulhando cegamente no abismo…

Pensa minha irmã, que tive trabalho; nada disso, meu membro desapareceu sem que eu sentisse e eu toquei o fundo de suas entranhas sem que o tipo desse qualquer sinal de sofrimento.

Tratei-o como amigo, torcia-se no excesso da volúpia, dizia palavras doces, e parecia felicíssimo quando o inundei. Quando me desocupei dele, voltou-se com os cabelos em desordem e o rosto em chamas: veja em que estado você me pôs, querido disse-me, oferecendo um membro seco e vibrante, muito longo e fino.

Suplico-lhe, meu amor, queira servir-me de mulher depois de ter sido meu macho, para que eu possa dizer que nos seus braços divinos experimentei todos os prazeres do culto que venero. Cedi a seu pedido achando tudo isso bastante fácil, mas o Vitor, tirando as calças, suplicou-me que o enrabasse enquanto era fodido pelo seu amigo.

Tratei-o como Black William, que me devolvia ao cêntuplo todos os golpes com os quais eu abatia nosso parceiro e logo me derramou no fundo do cu o celeste licor espermático com que eu regava ao mesmo tempo o cu do Vitor.

Marcela – Que prazer delicioso deve ser esse entre duas picas! Dizem que é gostosíssimo!

Marcos- Certamente, meu anjo, é um orifício delicioso, mas tudo isso não passa duma extravagância que eu nunca preferirei ao prazer que me dão as bocetas das mulheres, especialmente a sua. (passando a mão na buceta da irmã por cima do baby-doll)

Marcela – Pois bem, meu caro irmão, para compensar hoje sua delicada atenção, vai entregar aos seus ardores uma jovem, virgem e linda como os amores.

Marcos – Como? Então Black William vai encontrar mais uma mulher nesta casa?

Marcela – Trata-se de educar na arte sexual da sacanagem, uma jovem que veio do interior para a capital estudar e conheci na faculdade no mês passado, enquanto meu marido Jefferson fazia uns trabalhos por lá. Ficávamos na biblioteca a sós estudando e nada ousamos fazer, éramos o alvo de todos os olhares das jovens acadêmicas.

Prometemos reciprocamente nos unirmos assim que fosse possível. Perseguida por esse desejo, para satisfazê-lo, travei conhecimento com toda a família que alugara uma casa no bairro Monte Castelo. O pai é um libertino que eu consegui cativar.

A linda jovem chega hoje e passaremos esse final de semana juntas. Dois dias deliciosos. A maior parte desse tempo será empregada em educá-la. Black William e eu inculcaremos nessa linda cabecinha todos os princípios da sacanagem mais desenfreada.