Trovas escritas por Alphonsus de Guimaraens

 

Alphonsus de Guimaraens

“Pobre Alphonsus!, Pobre Alphonsus!”. Belas Trovas do poeta mineiro, que podem ser lidas num piscar de olhos. O ritmo dos versos é simplesmente perfeito. Com certeza, Alphonsus foi um dos maiores poetas brasileiros. Grande representante do nosso Simbolismo! Leiam logo!

1.

Quando os teus olhos me olharam,
Senti-me no paraíso,
Sob a luz do teu sorriso,
Ai! quantos anjos cantaram!
Aqueles que muito amaram,
Viveram no paraíso…
Eu vivi no teu sorriso
Quando os teus olhos me olharam.

2

Perguntas-me se teus olhos
São do céu ou são do mar,
São do mar, pos têm escolhos
Onde eu me fui naufragar.
Mas tuas pupilas (vê-las
É mais do que ver o luar)
São o céu, pois tem estrelas
Que não cessam de brilhar

3

Miro a lua e não estanco
O sangue da minha dor.
Pois a lua é o caixão branco
Onde dorme meu amor.

4

Tu não sabes por que a lua
É triste e nunca sorri…
Mas que ingenuidade a tua!
Os poetas moram ali.

5

O teu sorriso tem cheiro
Como cálix de uma flor.
Vem poisar neste salgueiro,
Rouxinol do meu amor!

6

És do Perpétuo Socorro,
Senhora, bem creio que és!
Vem valer-me, pois que morro
Desalentado a teus pés.
Que me valha o teu socorro,
E a bênção do teu olhar…
Vejo a cruz no alto do morro
E não posso lá chegar.

7

Senhora da Boa Morte,
Sede guia aos passos meus.
Leste, oeste, sul ou norte…
Todo caminho é de Deus.
Há de vir-me, eu sei, a morte
De alguns dos pontos cardeais.
Não vem sem rumo, sem norte,
Pois que a procuram meus ais.

8

Nossa Senhora das Dores
De tão triste, faz-me dó.
Quem não morrerá de dores,
Ao vê-la tão só, tão só?
Senhora da Soledade,
Que perdeste um Filho, assim
A minh’alma em soledade
Pede que veles por mim!

9

Tristeza das tardes ermas,
Das noites brancas de luar!
As almas que estão enfermas
No teu seio vão chorar…

10

Senhora, como padeço
Ninguém jamais padeceu
Os degraus da mágoa desço…
Tristezas do fado meu!

11
Ao encontrar esta lousa
Abandonada no val,
Eu pensei em Cruz e Sousa,
Mais Antero de Quental.

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