Análise de A viuvinha – José de Alencar

a-viuvinha-img4-blogjpgPublicado em 1860, A Viuvinha é uma novela de José de Alencar, ilustre escritor romântico brasileiro, autor da trilogia indianista composta por O Guarani, Iracema e Ubirajara.

A edição usada nesta resenha foi publicada pela editora Germape. Não aconselhamos nossos leitores a adquiri-la, uma vez que, apesar do preço ser baixo — o livro custou R$5,90 — o acabamento da mesma, bem como a disposição dos capítulos ficaram nitidamente prejudicados; haja vista que, em vez de saltarem uma página separando-os, acharam mais econômico dividi-los com apenas o espaço de um parágrafo uma fonte diferente.

A Viuvinha se enquadra na categoria dos chamados romances urbanos do período. Sendo assim, o livro traz à tona o cotidiano e os elementos que permearam o Segundo reinado.

Narrado em terceira pessoa — o narrador está contando a história da novela para uma prima — a obra possuí todas as características do estilo romântico. O enredo traz a história de Carolina e Jorge. O rapaz que herdara uma grande fortuna do pai, devido ao gasto excessivo com jogos, mulheres e outras coisas que despendem uma boa quantidade de dinheiro, vê-se na miséria. Além disso, para piorar a situação ele deixara de pagar as letras do pai, que seriam facilmente solvidas com a herança que foi mal utilizada. No entanto, antes de saber que estava pobre, Jorge noivara com Carolina, uma bela moça de quinze anos. Sendo assim, depois que soube que havia tornado desprovido de recursos, o moço quase desiste de casar. No entanto, o amor é mais forte, os jovens se casam em uma cerimônia simples. Na primeira noite dos dois, o rapaz com medo de que Carolina e a família descobrissem que ele manchara o nome do pai ao não quitar os débitos,  decide suicidar-se.  É a partir deste fato, que o leitor é levado a conhecer a história de amor criada por Alencar.

A novela é bem escrita, tem um bom ritmo, e como já foi explicitado anteriormente, traz várias características que marcaram o período romântico da literatura brasileira. Dentre estes podemos citar a idealização da figura feminina. A personagem Carolina, por exemplo, é a clássica donzela do romantismo, uma moça jovem, virgem e pura de coração, que nutre por Jorge um grande amor. A personagem central masculina, apesar dos erros que cometeu com a fortuna do pai, tenta corrigí-los. Neste ínterim,  ao longo da história, o narrador  frisa a importância dos valores morais da época, alguns destes que estão vigentes até hoje. Por estar compreendida entre os romances urbanos de Alencar que sempre traziam críticas a alguns comportamentos burgueses, A Viuvinha possuí outrossim críticas a sociedade burguesa daquela época. Existe também na obra uma grande exaltação ao Brasil, cujo o narrador vê como um excelente país. O exemplo disso, pode ser conferido em um trecho, onde quem conta história indaga o porquê de alguém deliberar pelo suicídio em plenas terras brasileiras Eis abaixo as palavras contidas no livro que demonstram este fator elencado anteriormente:

“Não tínhamos como na Inglaterra, esse manto de chumbo, que passa sobre a cabeça dos filhos da Grã-Bretanha; esse lençol de névoa de vapores que os envolve como uma mortalha.

Não tínhamos, como a Alemanha, o idealismo vago e fantástico, excitado pelas tradições da média, idade e, modernamente, pelo romance de Goethe, que tão poderosa influência exerceu nas imaginações jovem.

Ao contrário, o nosso céu, sempre azul, sorria àqueles que o contemplavam; a natureza brasileira, cheia de vigor e de seiva, cantava todo o momento um hino sublime à vida e ao prazer.”

Esta obra de Alencar merece ser lida, mesmo por aqueles que não gostam do romantismo, mas que querem ter um bom conhecido de vários momentos da literatura brasileira.

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