Telenovelas, Literatura – considerações!

15485_1130713397

Por Laís Azevedo

No Brasil a tradição folhetinesca continua presente nos dias hoje. Foi no século XIX que o folhetim ganhou força. Na época, a publicação de romances em jornais era uma maneira bastante usual dum autor apresentar-se ao público. A moda chegou ao Brasil importada diretamente da França. Nossos escritores oitocentistas adotoram este sistema de publicação, dentre alguns podemos citar: José de Alencar, Machado de Assis, Aluísio Azevedo e outros que, apesar de terem feito enorme sucesso na época, hoje não são lembrados. Sendo assim, Muitos folhetins continuam esquecidos nos velhos jornais que circulavam por aqui no século XIX.

Publicar romances em capítulos semanais era uma prática, que segundos os estudiosos da época, aumentava as assinaturas dos jornais. Vale lembrar, que naquele período não era comum o jornal circular em bancas ou em outros estabelecimentos.

A maioria destas obras eram voltadas para o público feminino. Era prática comum também a leitura em voz alta. José de Alencar, em sua obra “Como e por que sou romancista”, narra um episódio onde ele sentava-se na sala para ouvir a leitura dos folhetins franceses, que era realizada por um dos mais velhos da casa. Esse procedimento era interessante, haja vista que boa parte da população brasileira no século XIX era analfabeta.

A prática do folhetim em jornais alcançou até mesmo o século XX. Vale lembra que Nelson Rodrigues, por meio do pseudônimo de Suzana Flag, escreveu alguns folhetins. Entretanto, como sabemos a humanidade, pelo menos no tocante aos avanços tecnólogicos, deu passos bastante largos. O folhetim acabou sendo levado para o radio. Nesse formato, ficou conhecido como radionovela; uma delas, O direito de nascer, permaneceu no ar por três anos! Porém, o formato se esgotou com o advento da televisão.

E, foi na televisão, que o folhetim popularizou-se ainda mais. No início as telenovelas eram transmitidas ao vivo, só depois de um certo que começaram a ser gravadas. As técnicas evoluíram, e as telenovelas foram agregando cada vez mais um público maior.

Hoje, muitos afirmam que o formato cansou o telespectador brasileiro. Penso que o público, devido aos surgimentos doutras mídias, em especial, a internet, tenha desligado-se um pouco dos folhetins televisivos. Todavia, as telenovelas, principalmente as produzidas pela Rede Globo, ainda conseguem bons índices de audiência. Poder-se-ia dizer, que elas são a força motriz da emissora carioca.

Isto posto, surge-nos uma dúvida: “por que as telenovelas continuam atraindo tanto o público?” As personagens sem profundidade, que dividem-se basilarmente entre bons e maus, colocados num enredo de fácil compreensão, atraem um público que quer apenas entreter-se sem refletir muito em cima da narrativa que lhes é apresentada. Sendo assim, os autores de telenovelas geralmente priorizam a ação, que sempre é suspendida num momento crucial, para que o leitor assista o próximo capítulo. É característica comum dos folhetins globais, principalmente aqueles que passam no chamado horário nobre, abordar temas tais como: drogas, doenças mal compreendidas e acontecimentos que, dum certo modo, estão presentes na sociedade brasileira. Ademais, o telespectador sente-se deliciado quando no final todos os problemas da trama são resolvido duma maneira, que na maioria das vezes os mocinhos e as mocinhas são beneficiados. O prazer de ver a vilã, que aprontou poucas e boas durante todos os capítulos, presa, morta ou na miséria, traz uma sensação de que o bem e a moral pregada pela sociedade sempre triunfa; e que apesar dos problemas do país, é possível ainda acreditar que as coisas irão acabar dando certo, mais cedo ou mais tarde. Ademais, as novelas lançam moda que vão desde roupas a cortes de cabelos, e danças e conhecimentos (mesmo que sejam superficiais) de culturas consideras exóticas pelo público.

Ora, com base no que foi dito acim, é possível traçar uma relação das novelas com as escritas pelos românticos, que eram publicadas, como explicitamos anteriormente, nos folhetins. Apenas para citar uma exemplo, uma das personagens da novela Caras e Bocas, que está sendo exibida no horário das sete horas, tal como fez a protagonista de Senhora, do ilustre José de Alencar, também resolveu comprar um marido.

Interessante destacar também, que livros oitocentistas, que não tiveram tanto destaque no meio crítico, como por exemplo, Escrava Isaura, de Bernardo de Guimarães, alcançou um sucesso notável na televisão. A telenovela, que foi exportada para diversos países, ganhou um remake da emissora Record na década de 2000. Tal como a antecessora, o folhetim produzido pela emissora dos bispos angariou um grande sucesso.

Para findar, poder-se-ia dizer que as telenovelas ainda possuem bastante fôlego e o investimento nas produções está cada vez mais elevado. SBT, Record e Globo disputam ferozmente a atenção do público para seus folhetins televisivos diários. Para quem de telenovelas, essa peleja é um prato cheio!

Originally posted 2009-08-04 05:36:27. Republished by Blog Post Promoter

Compartilhe este post com seus amigos:
  • Print
  • Digg
  • Sphinn
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Mixx
  • Google Bookmarks
  • MSN Reporter
  • RSS
  • Twitter
  • email
  • MySpace

Leia também:

  1. Esaú e Jacó – Algumas considerações
  2. Algumas considerações sobre o escritor Coelho Neto
  3. “A fábula” – música e literatura! – Por Laís Azevedo
  4. O lado B da Literatura Brasileira – A fome – Rodolfo Teófilo – Por Laís Azevedo
  5. Divulgação de blogs/sites de literatura

Tags: , ,

Leave a comment