Que a morte me traga consigo no seu bolso
e que no avesso do meu osso
eu descubra que nada da vida foi em vão
E que a trilha se perpetue no caminho
de um andarilho bem mesquinho
que só pensa em juntar pão
E que da silepse que me busco
do contorno que ilustro
da sina que jaz no chão
da fonte que não se mantém
do intruso que vem do além
do pó, das cinzas e do caixão
— Morte, que traz consigo para dar a mim?
— Nada que você deva temer
— Algo que eu deva agradecer?
— Só se isso te machucar.
E do prisma que atinjo
que de vermelho me pinto
Em cristais de sofreguidão
E do aparelho bucal
aparência mais frugal
Do mais veloz alazão
— Morte, por que ainda não me levou?
— Você não merece morrer. Minha lança é um prêmio só para aqueles que descobrem sentido de viver.
— Mas, Morte, se eu descobrir não vou querer mais morrer.
— Eu sei.
– Posso argumentar?
– Você pode tentar
– Talvez eu possa… *choro*
Da música que não escutei
Do cálice que eu quebrei
Do café moído no pilão
Do poço em que me afundo
de morrer faço meu submundo
E de viver meu cão
Originally posted 2009-09-05 07:26:36. Republished by Blog Post Promoter
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Tags: literatura brasileira, Poemas

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