Por Gabriel Diniz
Mario Bortolloto, é esse o nome do autor de “Nossa vida não vale um Chevrolet”. A obra, uma peça de teatro, transformou-se depois no filme “Nossa vida não cabe num Opala”, cuja direção ficou sob os cuidados de Reinaldo Pinheiro.
Mas do que se trata a peça? Carregada com diálogos irônicos, a obra de Bortolloto traz à tona a vida duma família que ganha a vida roubando carros. São quatro irmãos: Slide, Monk, Lupa e Magali que formam a família Castilho. Slide é um garoto que está começando na vida do furto, Lupa é pai dum filho e Monk é um ex-lutador intelectual que gosta de Jazz e também dedica-se ao furto de veículos. Magali, por sua vez, soa na peça como uma prostituta, todavia isso fica implícito.
Logo nas primeiras páginas ,o pai da família, que não é benquisto por nenhum de seus filhos, morre. A mãe do quarteto também não tem sorte melhor, ela foi internada num hospício pelo ex-marido. É nesse contexto que paulatinamente uma tragédia familiar vai sendo desenhada. Love, Suruba e Guto são as personagens que ajudam a conduzir a família Castilho para uma decadência ainda maior. Outra personagem que merece destaque é Silva, uma mulher que lembra muito a protagonista do conto A dama do lotação, de Nelson Rodrigues. Sílvia dorme Slide, Monk e Lupa; sempre antes do ato sexual, ela narra a mesma história de um marido que a abandonou; esse cônjuge imaginário é sempre a última pessoa com que ela teve uma noite de sexo. É interessante o papel de Sílvia, principalmente o ato de repetição da personagem, dado que esse pode ser lido como a repetição que ocorre com todos os irmãos; tal como o pai e a mãe eles estão condenados a um terrível fado. Determinismo que lembra um pouco os romances naturalistas de Émile Zola e Aluísio Azevedo.
Além de ler o livro, uma boa é também ver o filme. Na película as personagens estão desenvolvidas de modo mais elaborado, bem como a figura do pai, que aparece como um fantasma para conversar com os filhos. Destaque também para a participação de Dercy Gonçalves, que como sempre solta uma boa dose de palavrões em cena!
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Tags: drama, literatura brasileira

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