Caixinha de música

Henriqueta Lisboa

Pipa pinga
Pinto pia.
Chuva clara
como o dia
— de cristal.
Passarinhos
campainhas
colherinhas
de metal.

Tamborila
tamborila
uma goteira
na lata.
Está visto
que é só isso,
não preciso
de mais nada.

Comentários

Lindo poema de Henriqueta Lisboa. Os versos, além de descreverem sons que são produzidos tanto pela natureza, como por objetos, foram montados estrategicamente para que durante a leitura, as sílabas soem como uma canção duma caixinha de música. Por isso, há o recurso da aliteração nos primeiros versos com a repetição da consoante “P”. O mesmo ocorre nos versos subsequentes, com o uso do “C”, “T”, etc.

Interessante destacar que no final do poema, o sujeito lírico diz que não precisa de mais nada, todos esses sons que o cercam reproduzem bem a música produzida por uma caixinha.