Posts Tagged: literatura brasileira


28
Aug 10

Quem cochicha o rabo espicha,

ele falou, antes de enfiar um cabo de vassoura no cu do cagueta!

Lauro Drummond.


27
Aug 10

Do meu diálogo com a morte

dead_man1Por Mali

Que a morte me traga consigo no seu bolso
e que no avesso do meu osso
eu descubra que nada da vida foi em vão

E que a trilha se perpetue no caminho
de um andarilho bem mesquinho
que só pensa em juntar pão

E que da silepse que me busco
do contorno que ilustro
da sina que jaz no chão

da fonte que não se mantém
do intruso que vem do além
do pó, das cinzas e do caixão

— Morte, que traz consigo para dar a mim?
— Nada que você deva temer
— Algo que eu deva agradecer?
— Só se isso te machucar.

E do prisma que atinjo
que de vermelho me pinto
Em cristais de sofreguidão

E do aparelho bucal
aparência mais frugal
Do mais veloz alazão

— Morte, por que ainda não me levou?
— Você não merece morrer. Minha lança é um prêmio só para aqueles que descobrem sentido de viver.
— Mas,
Morte, se eu descobrir não vou querer mais morrer.
— Eu sei.
– Posso argumentar?
– Você pode tentar
– Talvez eu possa… *choro*

Da música que não escutei
Do cálice que eu quebrei
Do café moído no pilão

Do poço em que me afundo
de morrer faço meu submundo
E de viver meu cão

Originally posted 2009-09-05 07:26:36. Republished by Blog Post Promoter


26
Aug 10

“A décima segunda noite”, de Luis Fernando Verissimo – Por Jefferson Luiz Maleski

verissimoshakeNovamente, LFV mostra que é muito criativo em seus romances. Mesmo A Décima Segunda Noite sendo inspirado na peça A Noite de Reis, de Shakespeare, o escritor gaúcho soube dar o seu toque de humor e originalidade. Primeiro, ele brinca com o narrador impessoal, quando bota a história sendo contada por um papagaio. Depois, a trama à parte que serve de introdução e conclusão em cada um dos capítulos é muito boa, como se fosse uma história à parte. Também é perceptível os maneirismos que LFV coloca no narrador, assim como o fez no Clube dos Anjos: Gula.

Continue reading →

Originally posted 2009-06-30 06:59:21. Republished by Blog Post Promoter


26
Aug 10

Barata

Ronie Von Rosa Martins

Não. Não era Gregor. Mas era imenso. E era uma barata. E sendo o que era rastejava. Movimento silencioso-furtivo. Era o que era. E ponto. Barata. E estava no lixo. Todos não estavam? Todos não eram baratas? Não eram?
E empanturrava-se de tudo. A fome intensa.  Pretensa forma da fome. Saciar. Saciar os espaços todos do corpo, do desejo, do prazer. Saciar.
A alimentação. Devorava o senso-comum. Todinho. Era o próprio. Não se é o que se come? Pois este era ele.  Máquina veloz e rastejante de ser habitado e habitar o bom-senso, o consenso… corpo apropriado. Antenas compridas, sensação, cheiro, paladar… a imagem. Consumia a imagem mesma, sempre e todo o dia. Podia voar. Mas não gostava, preferia rastejar no senso. Comum a todos. Marcas, idéias, opiniões, doxa. Adorava. Adorava encher o corpo e o ser de restos. Do resto de tudo e todos. Comia. Fartava-se nos lugares comuns, nas ilusões do sujeito, nas crenças da imaginação. Devorava crenças e mitos e acreditava. Sempre acreditava. Não sabia em que. Mas isso não importava.
Os discursos de poder tinham um sabor refinado. Comia com singular prazer. De olhos fechados. Degustando cada pedacinho. Salivando o gozo da doutrina, da subserviência. Tradição e moral. Lambia até os beiços. Era o que gostava. E mesmo assim não sabia o motivo. O gosto. Porque gostava mais disto e não daquilo? Nunca entendera claramente como se dava a obtenção do gosto e seus processos de composição. Mas era barata… Grande barata. Imensa. Já os livros… não. Secos demais. Espessos além da medida. Insípidos.
Preferia os doces programas de domingo. Tranqüilidade, passividade. Docilidade. Fantásticos docinhos que saciavam seu prazer. Prazer?
Pelas paredes a opção dos ângulos, das distancias. As visões variadas-alteráveis inusitadas, mas o olho era o chão. Apenas. Pena. Restrição da opção. Opacidade visual. Restrição sensorial. E podia tanto.
Mas não queria. Ou achava que não queria. Vai saber? Era barata. Como ia saber se queria ou não. Livre arbítrio? Ainda não se alimentara de Schopenhauer. Os clássicos eram os piores. Duros para uma mastigação rápida. Degustação imediata. Fast food.
Mas não havia solidão. Havia sim a algazarra. Varias e tantas outras. Roliças e felizes. Iguais e mesmas. Eco. Reflexo. Tantas quantas fossem possíveis ser produzidas. Reproduzidas, conduzidas, definidas. O lixo é fome e come. O lixo é carne e forma. Outro e mesmo rosto-roto, turvo-parvo.
A morte. O fim. Imenso em sua crença não viu, não olhou nem se importou. Enorme sola sob grande pé dos céus a buscou. O corpo. Em uníssono movimento e som interrompeu.

2 pessoas gostaram deste texto.

25
Aug 10

O lado B da Literatura Brasileira – Flor de sangue – Valentim Magalhães – Por Gabriel Diniz

19332641Inauguramos com o romance Flor de sangue nossa categoria intitulada de “Lado B” da literatura. A ideia é trazer para o site resenhas e análises de obras que nos manuais de História da Literatura, às vezes, são mencionadas em notas de rodapé.

Seguindo uma linha de estudo tradicional, falemos primeiramente do autor.

Antônio Valentim da Costa Magalhães nasceu no Rio de Janeiro, em 1859; faleceu em 1903. Como grande parte dos escritores oitocentistas, ele também formou-se em Direito. No de 1878, com a ajuda de Silva Jardim, publicou seu primeiro livro, “Idéias de moço”. Afora isso, transitou pelos mais diversos gêneros e exerceceu a crítica literária.

Continue reading →

Originally posted 2009-06-26 02:16:52. Republished by Blog Post Promoter


25
Aug 10

Lados

Walter Mota

Lados
Emprestou-me seus olhos,
foi então que eu vi o dedo apontando pra mim.


25
Aug 10

O moralista

Leonardo Brasiliense

— Tem quantos anos?
— Doze!
— Bonitinha!
— Tá.
— Fosse minha filha, eu endireitava a tapa.
— Vai dar sermão, é?
— Não, mas se fosse filha minha…
— Então acaba rápido, tio, que seu não voltar logo para casa, e com dinheiro, aí sim, o pai me cobre de porrada.


25
Aug 10

Um princípio de insanidade(?)

AninhaGR

O coração uma bomba-relógio.
Contagem regressiva.
Quanto tempo ainda me resta, quem pode saber…
Viajo sem rumo na abstração irreal ilusória e dolorosa do pensamento pesado.
Todo mal se repete. Tudo o que não satisfaz, que é monótono, que já cansou, se repete…
Todos os dias… Por várias e várias e várias vezes ao dia.
Minha vida, de uma insignificância sem igual.
Cansada da piedade e da ajuda “incondicional”.
Cansada dum Universo que não desperta meu interesse… Tédio… Sufocamento…
Acordar do pesadelo que se tornou a minha realidade cotidiana.
Cigarros, barbitúricos, benzodiazepínicos. Quero meu álcool forte, meu pão de farinha pura branca e leve, minha felicidade induzida. Não sei, não sei. Igualmente cansada de falsas sensações. Não as dispenso por completo, vezenquando são inevitáveis.
O ideal é difícil de ser alcançado. Não posso ser feliz apenas por instantes e a cada trinta dias, que sequer são escolhidos por mim, ainda que seja felicidade in natura.
Como fugir da vida temporariamente? Fugir, mas não para o inexplicado, para o reino absoluto do mistério. Fugir do próprio pensar e sentir, simplesmente. Pausar para não absurdar de vez.
Não sei o quero além do amor. Não sei o que quero e não quero saber o quero, além do amor. Aí reside um princípio de insanidade (?).

2 pessoas gostaram deste texto.

24
Aug 10

Pico na veia

Lauro Drummond

Síndrome do pânico!
que delícia
a sensação
maravilhosa
de sentir-se
morrendo
sem
estar
morrendo

sentir
definhando
o corpo?
não
somente
a mente!

1 pessoa gostou deste texto.

22
Aug 10

Pepita

Minh’alma é mundo virge’ – ilha perdida -
Em lagos de cristais;
Vem, Pepita, – Colombo dos amores, -
Vem descobri-lo, no país das flores
Sultana reinarás!

Eu serei teu vassalo e teu cativo
Nas terras onde és rei
A sombra dos bambus vem tu ser minha
Teu reinado de amor, doce rainha,
Na lira cantarei.

Minh’alma é como o pombo inda sem penas
Sozinho a pipilar;
- Vem tu, Pepita, visitá-lo ao ninho;
As asas a bater, o passarinho
Contigo irá voar.

Minh’alma é como a rocha toda estéril
Nos plainos do Sarah;
Vem tu – fada de amor – dar-lhe co’a vara…
- Qual do penedo que Moisés tocara
O jorro saltará.

Minh’alma é um livro lindo, encadernado,
Co’as folhas em cetim;
- Vem tu, Pepita, soletrá-lo um dia…
Tem poemas de amor, tem melodia
Em cânticos sem fim!

Minh’alma é o batel prendido à margem
Sem leme, em ócio vil
- Vem soltá-lo, Pepita, e correremos
- Soltas as velas – desprezando remos,
Que o mar é todo anil.

Minh’alma é um jardim oculto em sombras
Co’as flores em botão;
- Vem ser da primavera o sopro louco,
Vem tu, Pepita, bafejar-me um pouco
Que as rosas abrirão.

O mundo em que eu habito tem mais sonhos,
A vida mais prazer;
- Vem, Pepita, das tardes no remanso,
Da rede dos amores no balanço
Comigo adormecer.

Oh! vem! eu sou a flor aberta à noite
Pendida no arrebol!
Dá-me um carinho dessa voz lasciva,
E a flor pendida s’erguerá mais viva
Aos raios desse sol!

Bem vês, sou como a planta que definha
Torrada do calor.
- Dá-me o riso feliz em vez da mágoa…
O lírio morto quer a gota d’água,
- Eu quero o teu amor!

2 pessoas gostaram deste texto.