Posts Tagged: Resenhas


18
Aug 10

Livro dos seres imaginários

Felipe Crispi

No “Livro dos seres imaginários” (Ed. Companhia das Letras, 2007), Jorge Luis Borges faz um apanhado de 116 criaturas fantásticas de origens diversas na imaginação do homem, artística ou mitológica, derivadas de toda parte do mundo.

Cada criatura é acompanhada de sua descrição, origem e referencias, assim como versões e comparações. As descrições são curtas, variando de uma a quatro páginas cada uma. Apesar de ser ordenado em ordem alfabética, pode-se muito bem abrir aleatoriamente em qualquer pagina e ler.

Estão listados muitos seres conhecidos e muitos outros, pouco famosos de regiões pouco exploradas pelas publicações normais que tratam do assunto. Há criaturas derivados da arte literaria, como da obra de Kafka, e  das viagens de Marco Pólo.


11
Aug 10

O Médico e o Monstro

Felipe Crispi

Um advogado parte em uma busca pessoal da verdade por trás do estranho comportamento de seu amigo Dr. Jekyll e se depara com um crime cometido por um sujeito misterioso e desagradável que é influencia recente e intensa na vida do amigo, o Mr. Hyde.

Em “O Médico e o Monstro” (Ed. LPM, 2002) de Robert Louis Stevenson parte do terror tradicional, onde um mal externo e completo traz a desgraça, para o horror pessoal e intimo onde a fonte do terror é ninguém além do próprio torturado.

Sua narrativa pode ser pouco atrativa por ser antiga, do século 19, e não muito rica em descrição nem muito comovente. Mas o tema tratado e o mistério no qual a história é envolta são ricos e instigantes. Apesar da popularidade da obra ter criado diversas referencias em tantos meios diferentes, desde citações em filmes, quadrinhos e desenhos animados nos quais o mistério central da história já é conhecido, ainda restam diferentes encantos a serem descobertos nos detalhes.

Outra obra famosa de Stevenson é a Ilha do tesouro, uma aventura piratesca.


9
Aug 10

Stonehenge

Felipe Crispi

Uma aventura por um tempo esquecido e tribal, na qual um homem trabalha na construção de um templo e vivencia os mistérios de Stonehenge em de 2000 AC.

Em Stonehenge (Ed. Record, 2008), Bernard Cornwell parte de uma das mais populares teorias arqueológicas sobre a construção do monumento para criar uma ficção tribal de um tempo não registrado, em que o protagonista, diferente de todos os demais seus personagens de obras traduzidas para o português, não é um guerreiro, mas sim um construtor. Assim, ele é incumbido da missão de construir um templo para o seu povo.

Bernard Cornwell que sempre faz uma descrição da sociedade, dos exércitos e guerras através de um corte por personagens inseridos nesses contextos de forma brilhante e rica, em Stonehenge adota o mesmo procedimento,porém foca uma sociedade muitíssimo menor. Isto não impede que o escritor apresente uma descrição riquíssima, que não empobrece pelo numero reduzido da população, nem pela qualidade rústica e primitiva da sociedade.

Os personagens são carismáticos e a descrição é rica e agradável. Bernard Cornwell é autor também das Crônicas de Artur, trilogia A Busca do Graal, das Crônicas Saxônicas, O Condenado, Azincourt, e Aventuras de Sharpe.


27
Jul 10

Esaú e Jacó – Algumas considerações

Laís Azevedo

Joaquim Maria Machado de Assis é, sem dúvida, um dos literatos brasileiros mais celebrados de todos os tempos. O autor que se aventurou em diversos gêneros literários é, atualmente, um dos escritores mais estudados pela crítica nacional.

Exímio contista, Machado de Assis deixou também romances de bastante qualidade e sucesso: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro e Quincas Borba. Essa tríade de obras é, com certeza, a mais conhecida do escritor fluminense. Todavia, como se sabe, o autor de Helena produziu romances toques românticos e outros em sua fase dita mais madura, tais como: Esaú e Jacó e Memorial de Aires; sendo esse último, o último livro publicado pelo escritor

Um escritor realista?

Boa parte dos historiadores literários buscaram encaixar Machado de Assis no movimento Realista brasileiro, uma vez que Memórias Póstumas de Brás Cubas juntamente com O mulato de Aluísio Azevedo inauguraram, em 1881, o movimento duma literatura “real” nas terras brasileiras. O problema nessa história toda é que a obra de Machado difere-se muito do realismo-naturalismo praticado tanto em França (terra de origem dos romances de tese) como no Brasil. Pode-se afirmar isso, logicamente, lendo as obras de Machado. Não há uma preocupação do escritor carioca em nortear seus narradores, personagens, a estrutura de seus romances tendo como base as teorias cientificistas, tais como: o evolucionismo social, o determinismo, o positivismo, etc. Pelo contrário, o autor de Quincas Borba beberá em outras fontes. Suas influências literárias e filosóficas, que ele não faz questão de esconder, concentram-se mormente nas obras escritas por autores ingleses como: Shakespeare, Sterne. O primeiro, com Otelo talvez tenha sido uma boa inspiração para a composição de Dom Casmurro. De Sterne, Machado de Assis aproveitou a composição tipográfica e o maneira de estruturar os romances, com o uso, por exemplo, de capítulos curtos e bastante ironia. Elementos esses que seriam utilizado pelos modernistas somente após 1922. De fato, Machado era um escritor de vanguarda.

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27
Jul 10

Frankenstein

Felipe Crispi

Doutor Victor Frankenstein, moribundo, narra sua história de como a cobiça e curiosidade cientifica o levou a experimentos monstruosos que criou uma aberração que acabou com sua vida e a de seus entes próximos e fê-lo partir em uma jornada em busca de vingança.

Em “Frankenstein” (Ed. LPM, 2005) Mary Shelley narra uma história fantástica de terror na qual duelam a fé e a ciência, a tradição e o exploração do desconhecido. Sua narrativa é bonita, intensa, detalhada e bastante sentimental.

Os personagens são ricos e tanto criador quanto criatura, homem e monstro, são repletos de belezas e horrores pessoais. A narrativa não é complicada, embora seja pomposa; característica essa que pode desanimar alguns leitores.


20
Jul 10

O gene egoísta e o Relojoeiro cego

Antônio Augusto

O Gene Egoísta é um dos melhores livros de Richard Dawkins e um dos quais ele mais se aproveita para escrever algumas das seqüências. Suas explicações, no entanto, não são voltadas para a genética como o nome faz parecer. Apesar de falar sobre genes e alguns de seus aspectos na hereditariedade como efeito carona, sua principalmente discussão está no comportamento animal como nos exemplos de que não existe comportamento verdadeiramente altruísta.

Dawkins explica muito bem sua teoria de que fomos criados para nos reproduzirmos e transmitirmos nossos genes e quais as estratégias usadas para se ser bem sucedido nisso. Acaba o livro com uma explicação e defesa de que sua tese não se fecha no fato de sermos somente uma máquina produtora de genes, como alguns críticos de seus escritos costumam alardear para diminuir o valor desse pesquisador.
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13
Jul 10

Futebol e Guerra

Bruno Schlatter

Bueno, a maioria já deve saber que eu sou um entusiasta do grande esporte bretão, além de torcedor fanático do Grêmio de Porto Alegre, em grande parte porque eu nem faço muita questão de esconder. Além disso, sou também historiador, e que tem na história social do futebol justamente uma linha de pesquisa. Então, não é exatamente surpresa quando eu me interesso por algum livro que misture as duas coisas, como o caso deste Futebol & Guerra, do jornalista britânico Andy Dougan.

A obra, como o extenso subtítulo já deixa claro – Resistência, Triunfo & Tragédia do Dínamo na Kiev Ocupada Pelos Nazistas -, relata a história da equipe do Dínamo de Kiev, considerada uma das melhores da Europa da primeira metade do século XX, e seu dramático destino durante a ocupação nazista da capital da ucraniana, na época parte da União Soviética e invadida durante a 2º Guerra Mundial. Para dar suporte a narrativa, foi feito um extenso trabalho de reconstituição histórica, partindo desde os primórdios do Império Russo no século IX até as grandes conquistas e jogadores da equipe nas últimas décadas, como as conquistas na Liga dos Campeões da UEFA na década de 1970 e revelações como o ex-ídolo do Milan Andriy Shevchenko. A pesquisa é bastante profunda, e as descrições de campos de concentração, guerrilhas de resistência e táticas de combate alemãs e soviéticas podem agradar também aos fãs de história militar.

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10
Jul 10

Mais uma vez

Felipe Crispi

Um homem busca tocar sua vida após a morte da mulher que amava. Mas a forma com a qual ele faz isso é bastante incomum.

Uma comédia romântica leve e divertida “Mais uma vez” (Ed. Record, 2008) de Tony Parsons  descreve um personagem superficialmente desinteressante e até mesmo patético, mas que se revela, como o narrador da história, divertido e rico.

A narrativa é o ponto mais forte na obra. Uma narração em primeira pessoa muitíssima bem humorada que consegue descrever as cenas mais esdrúxulas de forma cômica e agradável. Um apanhado de situações inusitadas somado a uma sorte de personagens cada um mais diferente e improvável que o outro faz da história divertida e suave. Exemplo disso está gravado na contracapa do livro unindo na mesma sentença sexo, paixão, traição e tai chi chuan para descrever o romance.

Por outro lado o drama em si da história é eclipsado pelo humor. Se é que essa não é a intenção do autor. O personagem principal é simples e não chamaria a atenção não fosse a sua forma de encarar e narrar as situações. E, obviamente, se não fosse o personagem principal.

A história é rica de personagens e situações. Ela passa por diversos clichês, não necessariamente utilizando-os, mas as vezes, zombando deles. O livro não propõe uma história profunda e não vai além de sua proposta, que é de ser uma história divertida. Ele é mais rico em seus personagens do que no enredo.

Um ponto realmente muito fraco é a capa da edição brasileira que é extremamente brega. Brega como o personagem principal o é. Mas é bem diferente da capa original e desestimula em uma observação superficial.


10
Jul 10

Max e os felinos

Felipe Crispi

ax cresceu oprimido e intimidado por um tigre empalhado na loja de seu pai que simbolizava sua força e feitos passados e proporcionava a Max muitos transtornos. Max odeia o tigre e felinos em geral. Qual a ironia e desespero de Max quando fugindo da Alemanha nazista seu navio afunda o deixando no meio do oceano em um pequeno bote na companhia de um jaguar.

Max e os felinos (Ed. LPM, 2001) de Moacyr Scliar é uma comédia bem narrada com a qual pode-se rir a vontade e descompromissadamente. Por outro lado ele descreve um personagem rico que é perseguido toda sua vida por felinos reais e imaginários.

A narrativa é engraçada, concisa e dinâmica. As situações geralmente beiram o absurdo refletindo o interior de Max. Em poucas páginas, de maneira completa, o autor consegue narrar toda a vida de seu protagonista, do nascimento a velhice.


10
Jul 10

Atlantis

Felipe Crispi

Um grupo de arqueólogos marinhos seguem pistas que podem lhes revelar os mistérios da mítica cidade de Atlântida enfrentando muitos perigos contra terroristas gananciosos e muitos problemas.

Em Atlantis (Ed. Planeta, 2006) David Gibbins narra a história de seus intrépidos personagens saídos de um roteiro de Steven Spielberg para uma aventura aquática. O autor é um especialista na área, sendo ele mesmo um mergulhador experiente e pesquisador de história e arqueologia. O livro é repleto de informações e teorizações interessantes que, muitas vezes representados por personagens, se conflitam. Para o leitor curioso sobre Atlântida, sobre história e arqueologia o livro traz muitas informações detalhadas.

Se por outro lado o leitor espera uma leitura descompromissada o livro é tedioso e repleto de informações técnicas que fogem a compreensão e descrições praticamente alienígenas e incompreensíveis de situações e equipamentos de mergulho e arqueologia.

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