Laís Azevedo
Lançada pela editora Planeta, que vem fazendo um ótimo trabalho com a publicação de romances escritos em espanhol, A assombrosa viagem de Pompônio Flato é uma ótima surpresa para os leitores que buscam uma leitura divertida e que prende até o final da última página.
Eduardo Mendoza, o autor da obra, já escreveu inúmeros romances e foi ganhador de diversos prêmios em seu país, a Espanha. Ademais, é sabido que o escritor vive há mais de 30 anos somente de direitos autorais, isto é, o espanhol ganha a vida com literatura.
Deixando o autor de lado, vamos ao livro!
O enredo traz personagens no mínimo interessantes, Pompônio (um filósofo romano, é também o protagonista), Jesus (sim, Jesus Cristo, porém ainda menino), José (pai de Jesus), Maria (Mãe de Jesus), Lázaro dentre outras personagens judias, romanas e gregas. Pois bem, tudo começa quando a personagem-central acha um manuscrito etrusco que traz informações de como achar uma água que pode trazer sabedoria. O filósofo romano sai, então, em busca do artefato mágico. Depois de ambular pelo deserto e encontrar uma legião do exército romano e inusitados viajantes árabes, Pompônio chega a Nazaré. Lá descobre que José, um carpinteiro viúvo que contraíra núpcias com uma jovem que o chifrara, está sendo acusado de assassinar Epulão, um dos homens mais ricos da cidade. Assim, Jesus, um menino que desafiou várias doutores dum templo, pede ao protagonista que lhe ajude a descobrir o verdadeiro assassino, uma vez que ele acredita que o pai, José, jamais teria matado o nobre Epulão.
É a partir dos eventos descritos acima que a história desenrola-se num tom detetivesco recheado de ironia e sátira. José, por exemplo, é condenado à crucificação, porém ele é o único carpinteiro da cidade, quem fará a cruz? Esse é um dos problemas que assolam as autoridades. Há a presença também de Maria Madalena uma infanta, filha de Zara, que encanta o menino Jesus. As explicações, por exemplo, de Pompônio a Jesus sobre qual seria o ofício duma puta são extremamente divertidos. Lázaro também é uma figura ímpar que vagabundeia pelas cidades e acaba ajudando, em troca de boas moedas, a dupla a resolver o mistério. Outra parte que merece destaque, é o encontro com um jovem grego, Filipo, que trabalha na casa do homem assassinado. Durante o diálogo que Pompônio estabelece o rapaz, Mendoza elabora um diálogo, em tom de paródia, que se assemelha às conversas descritas nos diálogos platônicos.
Mendoza conseguiu, em A assombrosa viagem de Pompônio Flato, trabalhar com personagens bíblicas conhecidas de maneira brilhante. O romance histórico, detetivesco e irônico é, sem dúvidas, um page turner de melhor qualidade! Destaque também para o tamanho das fontes empregadas no livro, nem precisei de óculos para ler.
Recomendadíssimo!